Sindicalistas protestam no PR
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sexta-feira, 12 de novembro de 2004
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Trabalhadores de diversas categorias sindicais fizeram ontem uma manifestação contra a Portaria 160 do Ministério do Trabalho que proíbe a cobrança de contribuição sindical de trabalhadores não sindicalizados. Os movimentos garantem que o enfraquecimento dos sindicatos de trabalhadores poderia representar o fim de direitos históricos como o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), 13º salário, férias remuneradas e carteira de trabalho.
De acordo com o assessor sindical da Força Sindical, Paulo Zanetti, a medida governamental compromete a existência de cerca de 70% dos sindicatos brasileiros. Ele disse que apenas sobreviveriam os sindicatos com grande potencial de associados. Atualmente, a taxa de sindicalização brasileira seria de 25%. ''Não conseguimos entender como essa proposta pode ter partido de um presidente que veio do movimento sindical. Ele só pode estar tomando esse tipo de medida por força do capital internacional'', protestou Zanetti. Cerca de 500 mil panfletos foram distribuídos ontem em Curitiba. Neles, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece em charges estrangulando um trabalhador e pisando no túmulo de Getúlio Vargas.
A manifestação foi realizada simultaneamente nas principais capitais brasileiras. Além de Curitiba, aderiram ao movimento os municípios de Londrina e Cascavel. Participaram do movimento no Paraná as centrais Força Sindical, Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), Social Democracia Social (SDS), Confederação Federativa de Trabalhadores do Estado do Paraná (CFT). Ao todo, estas entidades representam cerca de 2,5 milhões de trabalhadores no Estado. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) não aderiu ao movimento nacional.
Diante dos protestos dos trabalhadores, já está ocorrendo uma mobilização no Congresso Nacional para revogar a Portaria 160 do Governo Lula. Dois projetos de lei para derrubar a medida já entraram na pauta de votação e deverão ser votados em regime de urgência na próxima quarta-feira. No Senado, a proposta é de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS). Na Câmara, do deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR). Trabalhadores de todo o País prometem se concentrar na semana que vem em Brasília para forçar a votação do Projeto de Decreto Legislativo.
Os sindicalistas se dizem favoráveis a reforma sindical. Entretanto, contrários aos abusos e ao autoritarismo do governo federal. Na semana que vem, o secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Osvaldo Bargas, estará em Curitiba, para debater o assunto na edição estadual dos Encontros sobre a Reforma Sindical.


