‘‘Rechaço aos acordos de livre comércio que legalizam a supremacia dos norte-americanos sobre os latino-americanos’’. Este é o argumento da Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA) para organizar os protestos que serão realizados nesta sexta-feira contra a reunião da Área de Livre Comércio das Américas (Alca).
O secretário de organização da CTA, Edgardo De Petri, declarou à Agência Estado que a Alca pretende concretizar uma integração ‘‘na qual esteja garantida a livre circulação de capitais, principalmente dos Estados Unidos. Eles querem ampliar os mercados sem discutir os principais problemas de nossos povos, que são o desemprego, a flexibilização trabalhista e a crise social que será causada pela entrada dos produtos norte-americanos que eliminarão as pequenas e médias empresas que não podem competir com os grupos econômicos dos EUA’’.
A CTA é a terceira central sindical da Argentina. Ela declara grande afinidade com a CUT brasileira. Central sui generis, reúne sindicatos de funcionários públicos, desempregados e aposentados. Com menos de uma década de existência, é considerada a central sindical mais combativa da Argentina.
A CTA declara-se a favor do Mercosul, mas com uma posição crítica à sua atual forma: ‘‘não pode ser que um acordo das empresas para ampliar seu mercado. Temos que discutir a integração dos povos, e que a economia esteja a serviço da comunidade. Não pode haver concorrência entre a Argentina e o Brasil, mas sim deveria existir complementaridade de suas economias’’.
Além disso, a CTA ambiciona a criação de um mercado comum latino-americano com um acordo não somente comercial, mas também social, ‘‘que coloque em discussão a distribuição da riqueza. Essa é a filosofia de nosso confronto’’.
Esta central sindical está organizando as principais manifestações anti-Alca das diversas programadas para esta semana. Segundo De Petri, ‘‘a maior ocorrerá na sexta-feira, com a participação de associações de pequenas e médias empresas, setores agropecuários, estudantes e organizações de bairros’’. A CTA está coordenando uma mega-marcha de protesto que partirá desde o Congresso Nacional até o Palácio San Martín, sede da chancelaria argentina.
De Petri considera que os acordos da Alca não podem ser secretos. Segundo ele, ‘‘o acordo que seja assinado precisará passar pelo crivo de um plebiscito em cada um dos países do continente’’.
No entanto, os sindicalistas argentinos estão desunidos, já que a Confederação Geral do Trabalho (CGT) dissidente realizará um protesto paralelo na Praça de Mayo, na frente da Casa Rosada, a sede do governo. O líder da CGT dissidente, Hugo Moyano, declarou que está contra a Alca, e que o Mercosul ‘‘já está morto’’.
Cálculos extra-oficiais sustentam que ao redor de 1.500 sindicalistas de todo o continente viajarão à Buenos Aires para participar dos protestos contra a Alca. A CTA espera a chegada de representantes da CUT e da CGT e do Movimento dos Sem-Terra do Brasil, da CNT paraguaia e da CGT do Chile. (Ariel Palacios)

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