Sindicalistas pedem a saída de Duhalde e seus ministros
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quarta-feira, 29 de maio de 2002
Agência Estado 
Buenos Aires - O presidente da Argentina, Eduardo Duhalde, enfrentou ontem a segunda greve geral em menos de seis meses de governo. A greve, convocada pela Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA), pediu a saída do presidente e de seus ministros, paralisou o funcionamento das repartições públicas, escolas do Estado, além do sistema de sa©úde.
No entanto, mais do que a paralisação da atividade de alguns setores, a jornada foi marcada por milhares de protestos em todo o país, das mais diferentes magnitudes e objetivos. Só na província de Buenos Aires, a maior do país, houve pelo menos 50 piquetes nas estradas, realizados por 10 mil pessoas.
Sindicalistas, desempregados, aposentados e correntistas manifestaram-se na principais cidades argentinas contra a possibilidade de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), a disparada do desemprego, a volta da inflação, o aumento dos preços dos combustíveis, a redução das aposentadorias, e o ajuste fiscal nas províncias.
A CTA é a terceira maior central sindical argentina. Além de englobar grande parte do funcionalismo público, também reúne associações de desempregados e aposentados. Esta greve concedeu maior importância à esta central sindical, que conseguiu - ao contrário das tradicionais e fisiológicas Confederação Geral do Trabalho oficial e CGT dissidente - manter uma imagem de constante combatividade contra os ajustes dos sucessivos governos ao longo da última década.
Os protestos tiveram como pano de fundo um índice de desemprego de mais de 23%, segundo cálculos otimistas (as estimativas pessimistas indicam que já estaria em 30%), uma proporção de pobres que atingiria metade da população do país, e um quarto dos argentinos em estado de indigência. O próprio governo admite que os salários dos argentinos estão no nível mais baixo dos últimos 50 anos.
As principais vias de acesso à capital argentina foram bloqueadas por sindicalistas e desempregados. No centro de Buenos Aires, diversas marchas causaram o caos no trânsito. Este foi o terceiro dia consecutivo de tumultos no trânsito portenho. Os motoristas de táxi também aproveitaram a jornada para protestar, neste caso, contra o aumento dos combustíveis.


