Curitiba - Representantes das centrais sindicais, trabalhadores, aposentados e pensionistas participaram, ontem de manhã, de um ato público na Boca Maldita, no centro de Curitiba, para reivindicar o salário mínimo de R$ 420. Manifestações semelhantes estavam programadas para serem realizadas nos estados da São Paulo, Bahia, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Espírito Santo, de modo a mobilizar a população para a III Marcha Nacional do Salário Mínimo, prevista para 6 de dezembro, quando o movimento sindical espera reunir 10 mil pessoas em Brasília.
A manifestação, organizada pelas centrais sindicais (CUT, Força Sindical, CGT, CGTB, CAT, SDS e NCST) também reivindica reajuste de 7,77% na tabela do imposto de renda, e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, como forma de aumentar os postos de trabalho. Em Brasília, as centrais sindicais devem se reunir com representantes do Governo Federal, Câmara Federal e Senado para discutir suas reivindicações. No mesmo dia, os trabalhadores fazem uma passeata de 10 quilômetros pela Capital Federal, saindo do Centro de Convenções e indo até o Congresso Nacional.
''O salário mínimo é um instrumento que pode fazer distribuição de renda no país, além de criar um patamar para aumentar o salário dos demais trabalhadores'', explica o presidente da Central Única dos Trabalhadores, Roni Andreson Barbosa. ''É fundamental também a recuperação do poder de compra do trabalhador'', complementa Paulo Zanetti, diretor Nacional de Seguridade Social da Força Sindical. A expectativa, segundo ele, é obter um reajuste linear de 20%, atendendo assim os aposentados e pensionaistas que ganham acima de um salário mínimo.
O economista Cid Cordeiro, do Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Sócio-Econômicas (Dieese), afirma que a definição do valor do novo salário mínimo exige uma ''reflexão'', levando em conta que desde o início do plano Real, em 1994, o salário mínimo teve 90% de aumento real. ''Se o salário mínimo não tivesse tido aumento real, ele seria R$ 190. É preciso pensar o seguinte: como seria o Brasil hoje se o salário fosse R$ 190 e não R$ 350? E como é que queremos que o Brasil seja daqui a dez anos?'', questiona, ressaltando que dentro dessa lógica a proposta do governo de R$ 368 significa um recuo. É por isso que o movimento sindical também reivindica uma política permanente de reajuste do salário mínimo.
Imposto de renda - O ministro Guido Mantega (Fazenda) admitiu ontem a correção da tabela do Imposto de Renda Pessoa Física no próximo ano. Ele não sugeriu nenhum índice de correção, mas disse que a medida já está em negociação com o relator do Orçamento 2007, Valdir Raupp (PMDB-RO). ''Depende de outras concessões, mas é possível que o mecanismo (a correção da tabela) seja aprovado'', disse ele em São Paulo após reunião com empresários do setor de infra-estrutura.
Há cerca de duas semanas, Raupp havia dito que iria propor ao governo um reajuste de 10% para a tabela em duas parcelas, uma em 2007 e outra em 2008. Além disso, o limite de dedução com gastos em educação seria reajustado na mesma proporção.
Um dia depois, entretanto, Mantega disse que essa ''não era uma prioridade'' do governo federal, que buscava reduzir impostos para setores que pudessem estimular o aumento do investimento. ''No caso do Imposto de Renda ele não tem um impacto sobre o crescimento e certamente ele não é prioritário'', disse o ministro no último dia 14.
As centrais sindicais defendem um reajuste da tabela de 7,7%. Já Raupp quer 10% em duas vezes, o que teria um impacto anual de R$ 773 milhões no Orçamento. Caso a proposta de Raupp fosse aprovada, o limite de isenção mensal passaria de R$ 1.257,12 para R$ 1.319,97 no ano que vem. Em 2008, subiria para R$ 1.382,83.
Já a alíquota de 15% passaria a incidir sobre salários que variem de R$ 1.319,98 até R$ 2.637,88 em 2007 e entre R$ 1.382,84 e R$ 2.763,28 a partir de 2008. Por último, a maior alíquota do IRPF, de 27,5%, passaria a incidir sobre os salários acima de R$ 2.637.89 (2007) e R$ 2.763,29 (2008). (Com Folhapress)

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