Sindicalistas entregam carta a Lula
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sexta-feira, 08 de outubro de 2004
Vera Barão<br>Reportagem Local 
Representantes do Sindicato dos Bancários de Londrina entregaram ontem à assessoria da secretaria geral da Presidência da República uma carta direcionada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante sua visita a Londrina. O documento solicita ao presidente que interceda junto à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e às diretorias do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal para a retomada do diálogo com as lideranças sindicais. A proposta dos sindicalistas é negociar um acordo com termos mais favoráveis do que foi apresentado anteriormente e rejeitado pela maioria das assembléias da categoria. A greve já dura 25 dias em todo País.
A carta foi entregue pelos diretores do sindicato Geraldo dos Santos e Paulo Lima ao assessor da secretaria geral da Presidência, Geraldo Trindade, na presença do prefeito Nedson Micheleti e do deputado federal Paulo Bernardo, ambos do PT. De acordo com o sindicalista Paulo Lima, a carta é um esforço dos bancários de Londrina para tentar superar o impasse. ''A gente espera que o presidente interceda para que os bancos nos chame para uma negociação'', afirmou.
No documento, os sindicalistas destacam que, como ex-sindicalista com larga experiência em situações semelhantes, o presidente seja um bom conciliador e tenha condições de convencer os bancos a reatar o diálogo com a Executiva Nacional dos Bancários. ''Confiamos em sua sabedoria, Sr. presidente, para conciliar este conflito, pois só assim poderemos chegar a um acordo com os bancos próximo das nossas necessidades'', diz o documento.
Na carta, os sindicalistas afirmam ainda que, tantos bancos privados como públicos, têm plenas condições de atender as reivindicações, concedendo reajuste superior ao índice proposto e melhorando a participação nos lucros e resultados, visto que nos últimos anos o setor financeiro vem batendo recordes de rentabilidade. Segundo Santos, no primeiro semestre deste ano o lucro dos bancos cresceu, em média 17%, em comparação ao mesmo período do ano passado. A categoria reivindica 19% de reajuste
O sindicalista pontua que a categoria já demonstrou vontade em pôr fim à greve. ''Concordamos em reduzir o índice de reajuste de 25% para 19%, mas nem conseguimos sensibilizar nossos patrões de que estamos dispostos a ceder e chegar a um consenso''. Outra prova de flexibilizão neste movimento, diz o documento, foi a realização de um esquema especial para atender milhões de aposentados.
Enquanto isso, a postura dos bancos, diz a carta, é marcada pela intransigência. Por duas vezes a Fenaban recusou-se a atender à sugestão do Superior Tribunal do Trabalho, no sentido de retomar o diálogo com a Executiva Nacional dos Bancários. A carta destaca ainda que, ''enquanto eleitores e trabalhadores ansiosos por mudanças, confiamos nossos votos ao Sr., acreditando que em seus compromissos de campanha, principalmente naqueles voltados para a democratização nas relações de trabalho''.


