Curitiba - A delegação sindical da Renault desistiu de acampar em frente à fábrica da montadora, em São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba). A manifestação seria realizada caso a montadora não pedisse desculpas oficiais aos trabalhadores que foram abordados de forma discriminatória e agressiva na entrada do primeiro turno, na segunda-feira.
Segundo o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e coordenador da delegação sindical, Robson Vieira da Silva, não houve um pedido de desculpas por parte da montadora, mas no final da manhã de ontem ele recebeu o telefonema de Antônio Almeida, representante para a América Latina do Comitê de Grupo Renault, que reúne 33 sindicalistas representantes dos operários de todas as Renault existentes. ''Ele prometeu que em fevereiro uma comissão virá a esta unidade para discutir com a direção do Brasil sobre o desrespeito à liberdade de expressão sindical, cláusula prevista na Declaração dos Direitos Sociais e Fundamentais, utilizada em nível mundial pela Renault'', explica ''Jamaica'', como é conhecido o sindicalista.
O impasse, na segunda-feira, começou por volta das 6h, quando os operários chegaram para trabalhar - após férias coletivas de 19 dias (um dia será compensado na segunda-feira de Carnaval). Logo na entrada, detectores de metal eram usados para retirar dos trabalhadores todos os telefones celulares que tivessem câmeras. A intenção era evitar que o novo modelo em produção vazasse para a imprensa ou para outras montadoras antes de ser lançado oficialmente. Jamaica organizou uma paralisação na segunda-feira como forma de protesto contra a discriminação. A fábrica não funcionou até as 14h.
Ontem, os trabalhadores iniciariam um acampamento. Mas a decisão da assembléia logo cedo foi aguardar a possibilidade de uma negociação com a montadora. ''Três sindicalistas foram suspensos por três dias por conta da manifestação de segunda. Não estamos querendo que a suspensão não seja dada. É uma decisão legítima da montadora. Não achamos legítima foi a discriminação de segunda-feira'', enfatizou. A assessoria de imprensa da Renault foi contactada ontem pela FOLHA, mas não retornou as ligações para dar um posicionamento oficial.

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