Sindicalistas defendem medidas compensatórias
Arquivo FolhaUltimatoMedeiros, sindicalista e deputado: Sem compensação, voto contraO presidente Fernando Henrique Cardoso reconheceu ontem que as medidas do pacote de ajuste fiscal podem aumentar o desemprego a curto prazo, segundo o presidente da Força Sindical, Luiz Antônio de Medeiros, após encontro com FHC no Palácio do Planalto. Medeiros - deputado eleito pelo PFL de São Paulo - e o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, estiveram ontem com FHC para cobrar dele medidas compensatórias contra o desemprego. Eles ameaçaram não apoiar as medidas caso não haja essas compensações.
Que social-democracia é essa que faz as coisas e não tem nenhuma medida compensatória? Alguma coisa precisa ser feita. Do ponto de vista do trabalhador, a única coisa concreta que tem até agora é aumento de impostos, afirmou Medeiros. Ele disse que votará contra o pacote no Congresso se não houver mudanças. A minha maior lealdade é ao trabalhador, não pode ser diferente. Os dois conseguiram que FHC marcasse para a próxima terça-feira, às 15h, uma reunião para discutir a adoção dessas medidas.
Na Itália e na França, quando se toma alguma medida de caráter recessivo ou impopular, o governo anuncia medidas compensatórias para os trabalhadores. Aqui, é possível aumentar o seguro-desemprego para até nove meses (atualmente varia de três a cinco meses), doar cestas básicas para desempregados que passem por requalificação profissional, colocar o Proger (Programa de Geração de Emprego e Renda) para funcionar e financiar micro e pequenas empresas.
Segundo Paulinho, os trabalhadores estão contribuindo mais que o setor público com o pacote. O corte do setor público foi muito tímido, afirmou. Paulinho propôs a FHC que todos os servidores que recebem grandes salários - na sua opinião, mais de R$ 3 mil - contribuam com um empréstimo compulsório.





