Sindicalistas debatem participação da mulher no mercado de trabalho
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 24 de novembro de 1998
Carmem Murara 
As representantes femininas das correntes sindicais dos quatro países do Mercosul, Chile e Bolívia querem a unificação das leis trabalhistas nos setores que dizem respeito às questões relativas às mulheres. Elas temem que com o avanço da abertura econômica entre os países, as trabalhadoras dos países menos desenvolvidos na área social percam espaço profissional para os países que oferecem mais direitos. A discussão sobre às leis trabalhistas está sendo feita em, Curitiba, no encontro da Comissão de Mulheres da Coordenadoria das Centrais Sindicais do Mercosul, que se encerra na tarde de hoje.
O seminário é o primeiro de uma série que conta com o financiamento de duas centrais sindicais dos Estados Unidos e Canadá. Os encontros e debates vão ser feitos, periodicamente, em vários países nos próximos dois anos, sendo o próximo no Rio de Janeiro, entre os dias 9 e 11 de dezembro.
Um dos pontos mais polêmicos das discussões é quanto à diferença na remuneração paga entre homens e mulheres. As mulheres ganham, no Uruguai, 50% menos que os homens, afirmou a diretora do Plenário Intersindical dos Trabalhadores da Convenção Nacional dos Trabalhadores (PITCNT), Graciela Retamoso. A PITCNT é a única central dos trabalhadores uruguaios, responsável pela representação de 23% dos empregados do país, onde vivem 3 milhões de habitantes.
No Uruguai, 60% do mercado informal de trabalho é composto pela mão de obra feminina. Graciela afirmou ainda que a quase totalidade das mulheres não tem acesso aos cargos de chefia ou a funções executivas. Apenas 2% as mulheres uruguaias ocupam cargos de gerência, disse. Ao mesmo tempo, 70% dos cargos mais inferiores nas empresas, são ocupados por mulheres.
Nos demais países do Mercosul a situação é semelhante. A coordenadora da Organização Regional Interamericana dos Trabalhadores, Nair Goulart, disse que a mulher brasileira recebe em média 55% do que recebe um homem, sendo que as taxas de desemprego entre as mulheres sempre superam a mão de obra masculina.
Entre os fatores que restringem o acesso feminino o trabalho estão o preconceito e as implicações que as mulheres têm com a maternidade. Muitos empregadores preferem contratar um homem para não ter de dar a licença maternidade, exemplificou Nair. As mulheres representam 45% da força de trabalho no País.
A reunião das representantes sindicais está servindo como um preparativo para o encontro que vai ser feito no Rio de Janeiro. Entre os dias 9 e 11 de dezembro, elas e os sindicalistas vão aproveitar a reunião dos presidentes dos países do Mercosul para fazer um protesto a favor dos trabalhadores.


