Sindicalista francês defende jornada menor
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quarta-feira, 15 de abril de 1998
Carmem Murara 
Arquivo FolhaChristophe Aguiton coordenou marchas européias contra o desempregoA redução da jornada de trabalho como alternativa para amenizar o desemprego no mundo foi defendida ontem, em Curitiba, pelo sindicalista francês Christophe Aguiton. Ele está no País desde o início da semana para participar das comemorações dos 150 anos do Manifesto do Partido Comunista. Aguiton foi um dos responsáveis pela organização das marchas européias contra o desemprego, que levaram quase 100 mil manifestantes às ruas de Paris e 70 mil em Amsterdam.
O desemprego é crescente e a redução das horas trabalhadas pode representar geração de oferta de trabalho, afirmou Aguiton. O desemprego na França atinge 12% da população que é de 60 milhões. O percentual se mantém inalterado há dois anos, mas os franceses acreditam que há uma tendência de aumento do desemprego. Aguiton lembra que a economia do país mantém um ritmo de crescimento pequeno, que gira em torno de 3%.
O governo francês concorda com a redução das horas trabalhadas de 39 para 35 horas semanais. Até o final de 1999, o governo subsidiará as empresas com um determinado valor anual pelas horas a menos trabalhadas. Após 99, cada empresa determina as regras de redução da jornada de trabalho. Teremos que negociar a flexibilização do trabalho e esta será a parte mais difícil, afirma o sindicalista. Ele elogia a política do governo francês, que criou 350 mil empregos.
No Brasil, também há uma proposta de redução da carga horária do trabalho de 44 para 40 horas semanais. A Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) e setores do governo federal defendem a redução da jornada, mas com redução proporcional de salário. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) apóia a diminuição de horas trabalhadas desde que não haja cortes nos salários. Nós acreditamos que conseguiríamos aumentar em 4% a oferta de trabalho, afirmou o diretor da CUT, Wilson Bortolotto.


