Arquivo FolhaMudança de estratégiaEntre 78 e 80 eclodiram 850 greves no ABC, quando o índice de indicalização girava em torno de 30%; no ano passado, ocorreram apenas dez grevesHá muito pouco tempo dizia-se que o sindicalismo por empresa - modelo norte-americano - parecia ser o caminho da organização dos trabalhadores na globalização. Hoje já não se pensa apenas nessa forma, embora haja partidários da idéia. O sindicalismo de âmbito regional, estadual ou nacional continua existindo. E as negociações por empresa foram incorporadas a ele, criando convenções coletivas gerais, e depois outras secundárias.
O Brasil é exemplo mundial dessa tendência. Pratica a negociação setorial (por ramo, como indústria metalúrgica, química, setor de comércio, etc) e também a negociação por empresa, para itens específicos. E os dois modelos estão com tendência de progressão no nosso País, segundo levantamento da OIT.
O sistema misto tem apresentado como resultado prático acordos articulados. Regras gerais constam de uma convenção coletiva setorial. Regras específicas, como participação nos lucros ou resultados, metas de produtividade e de qualidade, bancos de horas, redução ou aumento da jornada de trabalho e formas de remuneração dos períodos de oscilação da produção são negociadas diretamente entre sindicatos e empresas.
O índice de sindicalização entre metalúrgicos do ABC é alto - algo em torno de 60%, ou seja, perto do dobro do índice dos famosos anos 70-80, quando as greves e as conquistas salariais eram a marca registrada da região. Ou seja, no Brasil, como na França, a quantidade de movimentos reivindicatórios nem sempre está ligada às taxas de associação em sindicatos.
A grande greve na Scania, em 1978, a primeira do chamado novo sindicalismo comandado por Luiz Inácio Lula da Silva, no ABC, faz 20 anos em maio. Entre 1978 e 1980, eclodiram 850 greves e paralisações no ABC, quando o índice de sindicalização girava em torno de 30%. No ano passado, ocorreram apenas dez greves. O sindicalismo reduziu sua capacidade de mobilização ao mesmo tempo que aumentou o número de associados? Não, explica Luiz Marinho, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. ‘‘Antes fazíamos greve para poder negociar e hoje fazemos negociação para evitar greve’’, conta.
As negociações se dão por ramo - a metalurgia - uma vez por ano, em novembro. E nos restantes 11 meses há negociações por empresa, das quais participam comissões de trabalhadores quase sempre bem informadas sobre os interesses das companhia, algumas das estratégias de participação no mercado, suas necessidades de mudanças de formas de produção, de introdução de automação e outros temas antes escondidos dos empregados.

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