A polêmica sobre a abertura do comércio do Centro de Londrina nas tardes de sábado teve mais um capítulo tumultuado no final de semana. Os fiscais da Prefeitura visitaram 110 estabelecimentos e autuaram 37 deles com multas que variaram de R$ 138,57 a R$ 692,85. A punição baseou-se no Código de Posturas do Município que autoriza o expediente apenas no sábado seguinte ao quinto dia útil de cada mês. Assim, 12 de junho seria a data correta para o funcionamento até às 18 horas. Coincidentemente, é o Dia dos Namorados que, para muitos comerciantes, é a terceira melhor data do ano.
Embora patrões e empregados tenham certeza que as lojas do Centro abrirão suas portas no próximo sábado, ainda não há acordo sobre o assunto. Para que os estabelecimentos funcionem legalmente, os lojistas precisam do aval dos comerciários que estão em campanha salarial desde o início de maio. Segundo José Lima do Nascimento, presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Londrina, esta é a hora de negociar. A categoria pede 35% de reajuste contra 5,60% de inflação acumulada no período. ''Sabemos que a meta é difícil, mas é preciso insistir na negociação. Cidades vizinhas como Maringá e Cornélio Procópio, que possuem carga horária igual a nossa, recebem um piso de R$ 365,00 e R$ 405,00, respectivamente, enquanto em Londrina o mínimo hoje é de R$ 332,13'', detalhou o sindicalista.
A expectativa é que, ainda esta semana, ocorra a primeira rodada de negociação sobre a Convenção Coletiva e a definição do horário para o próximo dia 12. Uzier de Carvalho, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina (Sincoval), não quis divulgar sua opinião sobre as reivindicações da categoria, mas afirma que o desejo dos 300 associados dos 10 mil comerciantes fixados na cidade é trabalhar todos os sábados do mês. ''Isso é impraticável'', rebate Lima ao garantir que 70% dos pequenos e médios comerciantes e a maioria dos comerciários aceita apenas um sábado por mês. ''O resultado não justifica abrir mais que dois sábados por mês porque o volume de vendas nessas tardes é retirado da semana'', argumentou.
A divergência entre os dois sindicatos é normal. Estranho é que entidades, a priori do mesmo lado, batalhem nos bastidores. É o que acontece entre o Sincoval e a Acil. Carvalho acusa o presidente da Associação Comercial, David Dequêch, de promover a desobediência civil ao incentivar o funcionamento das lojas em dias proibidos pelo Código de Posturas. A posição é compartilhada por Lima que, inclusive, impetrou uma ação judicial contra Dequêch motivado pelo mesmo assunto. ''O nosso problema é a atual gestão da Acil que é representativa de fato, mas não de direito'', disse Carvalho.
''Estamos cumprindo um papel abandonado pelo Sincoval que é lutar pelos interesses dos comerciantes e, enquanto eles quiserem trabalhar, vamos dar respaldo'', afirmou Dequêch que garantiu dar assistência jurídica a todos os empresários multados pela Prefeitura por abrirem às portas no sábado à tarde.


Como funciona em outras cidades


Curitiba
O horário de funcionamento do comércio de rua em Curitiba é regulado por lei municipal. No geral, as lojas podem abrir, aos sábados, das 9 às 13 horas. Mediante acordo com o Sindicato do Empregados no Comércio de Curitiba, os lojistas podem estender o horário, mas os funcionários devem ser compensados com folgas durante a semana. Segundo informações do sindicato, atualmente, cerca de 90% do comércio da Capital trabalha das 9 às 18 horas, aos sábados.


Maringá
O comércio fora dos shoppings tem autorização para funcionar dois sábados por mês até às 18 horas. Os sábados são definidos de comum acordo

Ponta Grossa
Segundo informaçãos da Associação comercial do Município, os lojistas podem abrir até às 18 horas no primeiro sábado após o quinto dia útil de cada mês

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