São Paulo O primeiro sinal ''efetivo e importante'' de recuperação da economia brasileira foi dado terça-feira pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), com a divulgação do crescimento de 6% da atividade industrial paulista em setembro ante agosto. A avaliação é do diretor-executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Júlio Sérgio Gomes de Almeida, que aponta ainda o setor de bens duráveis como o principal impulsionador na retomada do crescimento.
''Os dados divulgados pela Eletros, de crescimento das vendas de 20,39% em setembro em relação a agosto, e também os dados da Anfavea, de alta de 22,5% no crescimento da produção de veículos em setembro ante agosto, mostram melhora de desempenho de dois segmentos relevantes de bens duráveis, que vão pontear a retomada do crescimento'', comentou.
Almeida observou que até setembro, os indicadores econômicos, especialmente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontavam para uma ''estagnação da recessão''. ''Começamos a ter sinais de recuperação quando o IBGE mostrou estabilização do desemprego e, agora, de forma mais clara, com o aumento de atividade indicado pela Fiesp'', sustentou.
Para o Iedi, a expansão de bens duráveis ocorrerá principalmente porque houve, nos últimos meses, uma queda significativa das vendas do segmento. Essa queda, explica o dirigente, foi motivada principalmente pelo temor dos consumidores sobre a garantia de manterem seus empregos futuramente.
''O mercado de produtos de maior valor unitário tem hoje um consumo reprimido altíssimo, porque o sujeito tinha medo de assumir prestações e, posteriormente, perder o emprego'', explica.
Outro fator relevante para a expansão do setor apontado pelo Iedi está na maior oferta de crédito nos últimos meses, com custo menor, embora ainda com custo alto na análise do instituto. ''O crédito é o motor desse processo de recuperação porque o setor de bens duráveis é muito sensível à disponibilidade de financiamentos. Os juros ainda estão altos, mas sem dúvida houve um barateamento do crédito'', aponta.
Levantamento da instituição revela que, em maio, os juros médios pagos pelos consumidores era de 83,7% ao ano e, em setembro, estavam em 70,7% ao ano. Para pessoas jurídicas, a queda foi menos acentuada: da média de 39,1% ao ano, em maio, para 34%. ''O Banco Central começou a cortar os juros em junho e a redução de cinco pontos porcentuais é considerável'', sustentou.
Para complementar esse conjunto de medidas de crédito, que deverá resultar em um ''Natal de 2003 muito melhor do que o de 2002'', o executivo disse que ainda estão por vir os efeitos dos programas de microcrédito; de crédito em consignação na folha de pagamento, ''com custos muito mais baixos''; e de abertura de contas bancárias populares pelo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
O diretor do Iedi acredita, no entanto, que o impacto do crescimento econômico na redução do desemprego será tímido esse ano, com melhor desempenho ao longo de 2004. ''Vamos sair do atual nível de 12,9% de desemprego indicado pelo IBGE em setembro para algo como 8% no fim do ano que vem'', estimou.

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