Sinal de alerta para a economia global
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de setembro de 2004
Sérgio Gobetti<br>Agência Estado 
Brasília - O relatório de 2004 da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad) coloca dúvidas sobre o otimismo em torno da recuperação da economia mundial e questiona a sustentabilidade do crescimento na América Latina. A situação econômica, assinala o documento divulgado ontem, é melhor do que em 2003, mas ''a perspectiva de uma recuperação sustentável é mais sombria e incerta que no início dos anos 90''.
A primeira parte do relatório, escrita pelo secretário-geral da Unctad, o brasileiro Rubens Ricupero, destaca que a recuperação tem sido garantida por um casamento entre a economia dos Estados Unidos e dos países do sul e leste da Ásia. Nesse elo, os gigantescos déficits comerciais e orçamentários americanos proporcionam um poderoso estímulo de demanda, que tem sido aproveitado basicamente pelas economias asiáticas, cujas exportações continuam em rápida expansão.
''A melhoria na economia mundial resulta de taxas de crescimento excepcionalmente boas em um pequeno número de países, com grandes diferenças em seus efeitos indiretos sobre outras economias'', diz o documento. Nesse processo, alerta o documento, as grandes disparidades entre as principais economias industriais podem levar a novas pressões protecionistas e acentuar a instabilidade nos mercados monetário e financeiro. ''O brusco aumento no preço do petróleo e a incerteza sobre sua evolução, assim como seus possíveis impactos sobre a inflação e a taxa de juros, são um motivo adicional para preocupação'', aponta Ricupero.
De acordo com o economista Renato Baumann, diretor do escritório da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) no Brasil, o relatório faz um elogio implícito a política cambial ativa dos países asiáticos. A manutenção do câmbio em níveis competitivos e livre de fortes oscilações, determinante para as exportações, teria tornado as economias regionais mais protegidas frente ao cenário de instabilidade monetária e financeira.
Ao contrário, os países da América Latina deram prioridade ao equilíbrio macroeconômico e inflacionário, seja quando adotaram regimes de taxa de câmbio fixa ou flutuante, o que os teria tornado mais vulneráveis às crises.


