Sinais de bons preços para o milho
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 02 de outubro de 1997
Guto Rocha Londrina 
Arquivo FolhaCarraro: Produtor pode garantir preços mais altosO produtor que ainda está em dúvida entre plantar milho ou soja nesta safra deve ficar atento para as projeções de preços destes grãos no mercado futuro. A dica é do operador de mercado da Carraro Agrobusiness, de Maringá, Carlos Alberto Carraro, que diz que o mercado futuro do milho na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) projeta preços atrativos para o grão.
Segundo o operador, a previsão de queda na área do milho no Brasil, estimada em cerca de 20% em relação à safra passada, por causa da preferência pela soja por muitos produtores, faz com que os especuladores trabalhem com perspectiva de redução da oferta de milho, o que deixa os preços do grão mais altos no mercado futuro. Ontem, o milho fechou cotado para novembro na BM&F a US$ 8,12/saca à vista (R$ 9,09) posto Campinas. O preço para liquidação de contrato ontem ficou em R$ 8,35 à vista, projetando um alta de 9,3% em 60 dias.
Carraro observa que muitos produtores de milho estão segurando o produto para quitar a securitização das dívidas, que podem ser prorrogadas para novembro. Caso isso se confirme, Carraro diz que os produtores podem vender o milho na bolsa agora para entregar em novembro, garantido os R$ 9,09 previstos pela BM&F, o que para o produtor do Paraná vai representar R$ 7,60. Na hora de pagar sua securitização o produtor vai desembolsar o valor do preço mínimo que é R$ 6,70, ou seja, o produtor terá garantido um ganho de até R$ 0,90/saca.
Para o produtor que ainda vai plantar, Carraro diz que ele pode fixar o preço projetado pela BM&F para maio, na entrada da safra, que ontem foi de US$ 7,85/saca (R$ 9,10/saca posto Campinas). Este valor representa R$ 7,60 para os produtores do Norte do Paraná. Com isso, os produtores podem garantir um preço melhor do que o praticado no mercado na hora da colheita. A tendência é de que o preço na entrada da safra fique abaixo do previsto pela Bolsa, porque se as cotações ficarem acima dos R$ 8,64, que é o Preço de Liberação de Estoques, o governo começa a leiloar seus estoques, e os preços tendem a cair, observa.
Soja Enquanto o milho trabalha em alta, as cotações futuras da soja projetam queda para a entrada da safra. Segundo Carraro, ontem a soja fechou cotada a US$ 11,09 nos contratos de maio de 98, o que representa uma queda de 35% em relação ao preço de liquidação de contrato praticado ontem na BM&F, que foi de R$ 16,66 (Indicador da Fipe/BM&F).
Com certeza os preços da soja nesta safra não repetirão os bons níveis atingidos na entrada da última safra, quando a saca chegou a ser cotada a R$ 15,00 em abril, diz. Ele prevê que para abril de 1998, a saca deva variar entre R$ 11,50 e R$ 12,00.


