Simulado para venda da Telebrás teve até a entrega de liminar
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domingo, 19 de julho de 1998
Agência Estado 
Alcyr Cavalcante/Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)EnsaioO leiloeiro bate o martelo na Bolsa do Rio, durante a simulação do leilão da TelebrásCerca de 60 pedidos de liminares para suspender o leilão de privatização do Sistema Telebrás estão tramitando na Justiça, segundo acompanhamento feito pela administração da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. Ontem, durante o simulado feito para treinamento dos operadores que irão participar do leilão, marcado para o dia 29, a Telesp foi arrematada com ágio de 19,6%, por um consórcio fictício representado pela corretora Graphus.
A preocupação com as ações judiciais é tanta que, logo depois da abertura do primeiro envelope, foi ensaiada a entrega de uma liminar. Ela não suspendia a venda, mas informava que o resultado ficaria sub judice. Outros contratempos também fizeram parte da venda simulada. O ágio da Telesp, por exemplo, só não foi maior porque o consórcio responsável pela maior oferta, R$ 4,5 bilhões, foi desqualificado por ter desrespeitado as normas: o fundo de pensão do grupo detinha mais de 25% de participação, o que não é permitido.
Representantes de empresas interessadas no leilão, como a Portugal Telecom e a Teleponica de Espanha, acompanharam o ensaio, conduzido pelo leiloeiro oficial da BVRJ, Alexandre Hunter. Se tudo acontecer conforme o previsto, sem qualquer interrupção ou atraso, o leilão das 12 teles será feito em cinco horas e meia. Estamos achando que esta venda pode se estender por mais de um dia, disse o representante do grupo espanhol, que não quis dizer o nome. Estou aqui só aprendendo, desconversou.
As vendas eram de mentira, mas a disputa parecia verdadeira. Vinte e sete corretoras inscreveram-se para participar do ensaio, entre elas Brascan, Prosper, Omega, Bradesco, Unibanco, Itaú, Interbank, Fator, Graphus e Morgan. Os envelopes com os lances já haviam sido preparados pelos próprios organizadores do leilão e foram distribuídos aleatoriamente pelos consórcios fictícios. A seleção dos consórcios e das respectivas corretoras também foi feita ao acaso.
Cerca de 150 funcionários da Bolsa participaram da simulação, mas como habitualmente ocorre aos domingos, não havia movimento em volta do prédio e não foi ensaiado o esquema de segurança para reprimir manifestações de protesto que certamente ocorrerão durante o leilão.


