Simulação mostra redução nas prestações
Agência Estado
De São Paulo
O consumidor que financiar R$ 10 mil para a compra de um carro novo, por um prazo de 24 meses, a uma taxa de juros de 3% ao mês, estará economizando a partir de hoje, R$ 394,52 em dois anos só por conta da queda do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6% para 1,5% ao ano.
Com esse dinheiro, dá para comprar uma TV de 20 polegadas, com controle remoto, ressalta o professor de matemática financeira, José Dutra Sobrinho. O especialista, que fez simulações para avaliar o impacto da queda do IOF nos financiamentos, considera a redução significativa quanto menor for o juro cobrada.
No exemplo acima, a prestação mensal caiu de R$ 621,15 para R$ 597,86. A taxa efetiva do empréstimo, que era de 3,48% ao mês ou 50,78% ao ano recuou para 3,12% ao mês ou 44,58% ao ano, com o novo IOF. Já no caso de empréstimo pessoal de R$ 1 mil, com juros de 5% ao mês pelo prazo de um ano, o consumidor economiza apenas R$ 27,76 com o corte no imposto. A prestação, que, com o IOF antigo, era de R$ 116,96, recuou agora para R$ 113,83. A taxa efetiva de 5,64% ao mês ou 93,17% ao ano caiu para 5,16% ao mês ou 82,89% ao ano.
O efeito menor do corte no imposto será mais evidente quanto maior for a taxa de juros. Esse impacto, segundo Dutra, fica mais claro quando se avalia o reflexo da redução do IOF no cheque especial. O cliente que ficar no cheque especial por 30 dias, com uma dívida de R$ 1 mil, com juros correndo na casa de 10% ao mês, deve desembolsar R$ 3,75 a menos com a mudança no imposto. Com IOF de 6% ao ano, esse cliente teria de gastar R$ 100 de juros e R$ 5 com o imposto. Com a nova alíquota, gastos com juros são mantidos e a despesa com imposto cai para R$ 1,25 no primeiro mês.
O que o governo precisa fazer agora é motivar a redução dos juros, diz o especialista, ponderando que essa seria a intenção das autoridades monetárias ao reduzir os compulsórios de 10% para zero nos depósitos a prazo, injetando mais recursos no mercado. Com a queda do IOF, o governo abriu mão de 75% da arrecadação e agora seria a vez de os bancos mexerem nas taxas, enfatiza Dutra, argumentando que o governo já teria feito a sua parte. Ele explica que o banco é neutro no caso do IOF porque paga o imposto à vista.





