Começa hoje, e vai até a próxima quinta-feira, o III Simpósio de Recursos Genéticos para a América Latina e Caribe (Sirgealc) que terá como lema ''Recursos Genéticos: Conservar para a Vida''. O evento trata de um dos assuntos mais polêmicos na atualidade: o acesso e a propriedade dos recursos genéticos.

Embora discutido em fórum científico, o assunto tem variáveis políticas e requer posições dos governos no sentido de normatizar a utilização e exploração dos recursos genéticos. No caso do Brasil, a apropriação desses recursos constitui o que os técnicos chamam de ''erosão genética'' ou, na linguagem mais simples, verdadeiro saque contra a biodiversidade.

Para a pesquisadora Vânia Moda-Cirino, coordenadora do evento, os recursos genéticos possuem um valor incalculável e constituem a base para o desenvolvimento sustentável da agricultura, para a segurança alimentar e para a estabilidade do ambiente. A vida no planeta é totalmente dependente dos recursos genéticos, portanto a sua conservação é a garantia da continuidade da vida. A cientista observa que o Brasil tem uma magabiodiversidade calculada em 10 milhões de espécies vegetais, animais e microorganismos. Do total, apenas 1,4 milhão são identificadas.

Brasil, Colômbia, México e Indonésia são considerados os países mais ricos em biodiversidade. O Brasil, ocupa a primeira posição em número total de espécies de organismos, detendo aproximadamente 22% da biodiversidade de espécies vegetais existentes no planeta.

O simpósio já recebeu 150 trabalhos científicos entre autores brasileiros e estrangeiros. Na maioria deles o que permeia a preocupação dos técnicos é o comércio de germoplasmas - acervo de genes - que é considerado patrimônio da humanidade. O Simpósio poderá clarear uma série de pontos. A Lei de Proteção de Cultivares, de 1966 restringe o interâmbio de germoplasmas. E a medida provisória (MP) 2186 de agosto de 2001 - Conselho de Gestão do Patrimônio Genético - define o estabelecimento de normas em torno do uso de material genético.

Diante de pontos obscuros e da pirataria dos recursos genéticos, a participação de representantes de órgãos do governo é imprescindível, segundo os organizadores do Sirgealc. A comunidade científica quer discutir, por exemplo, alguns pontos da MP que tratam do intercâmbio científicio oficial, entre as instituições. Ao restringir a saída de material genético de espécies silvestres da Amazônia a legislação dificulta muito a troca de experiência formal, institucional.

A pesquisa brasileira depende do intercâmbio de germoplasma com institutos internacionais para o desenvolvimento de programas de melhoramento de onde surgem novas cultivares, conforme explica, o pesquisador Carlos Roberto Ried, membro da comissão organizadora.

O III Simpósio de Recursos Genéticos para a América Latina e Caribe, contará com a presença de cientistas convidados dos Estados Unidos e Países da Europa, além dos países que fazem parte do encontro. É promovido pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), órgão da Secretaria da Agricultura do Estado, e pela Embrpa/Recursos Genéticos e de Biotecnologia. Segundo o presidente do Iapar, Florindo Dalberto, o evento está incluído no programa comemorativo dos 30 anos do Iapar. O tema escolhido para esta terceira edição reflete a consciência do Estado do Paraná como centro da região agrícola mais produtiva do Brasil. A conservação dos recursos genéticos é fundamental para a produção de alimentos com qualidade e salvaguarda contra catástrofes imprevisíveis.

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