Simpósio discutirá inseminação artificial
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quarta-feira, 14 de abril de 2004
Carolina Avansini<BR>Reportagem Local 
Com o objetivo de difundir tecnologias já disponíveis no mercado, será lançado hoje, na 44 Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, o 1º Simpósio Internacional de Reprodução Animal Aplicada. O evento realiza-se de 14 a 16 de outubro no Hotel Sumatra, com presença de especialistas mundiais sobre o tema.
Uma das técnicas em discussão será a inseminação artificial em tempo fixo. Relativamente nova no Brasil, a ferramenta consegue sincronizar o cio e a ovulação das fêmeas através da aplicação de fármacos. A vantagem, de acordo com o veterinário Jefferson Campos, é que a tecnologia dispensa a necessidade de observação do cio para realizar a inseminação. ''A taxa de serviço (número de fêmeas inseminadas) é de 100%'', afirmou.
Segundo ele, a observação do cio é o grande gargalo da inseminação artificial. ''Os cios que acontecem à noite são perdidos'', disse. Os resultados da sincronização compensam o investimento. De acordo com Campos, enquanto o custo final de uma prenhez na monta natural totaliza R$ 100,35, o uso da inseminação em tempo fixo reduz o valor para R$ 38,29.
Marco Rogério Dalalio, gerente de produtos da Intervet (co-organizadora do simpósio), acredita que a nova tecnologia será responsável pela explosão do mercado de inseminação no Brasil. Dados da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia) indicam que, em 2003, apenas 7,3% do rebanho brasileiro de fêmeas recebeu inseminação artificial. O percentual corresponde a 4,4 milhões de animais.
Apesar da baixa utilização, a comercialização de sêmen é crescente no País. Nos últimos cinco anos, passou de 5,77 milhões de doses vendidas anualmente para 7,5 milhões de doses, o que corresponde a 34% de aumento. No mesmo período, as vendas de sêmen nacional cresceram 97%, enquanto o produto importado enfrentou queda de 32%. ''É um indicativo de que a tecnologia nacional é eficiente'', considerou.
Na própria exposição, empresas que comercializam sêmem comemoram incremento nas vendas. Marcelo Vezozzo, diretor-presidente da Araucária, comentou que os bons resultados dos leilões realizados até agora refletem em crescimento da comercialização. ''O pecuarista vê na pista o resultado do investimento em genética'', disse, acrescentando que a demanda por animais cruzados F1 (primeira geração de cruzamento industrial) aumentou, incrementando os preços.
Ele informou que as vendas de sêmen de Limousin, por exemplo, crescerem 15% em relação ao ano anterior. Após o leilão da raça Brahman, que totalizou R$ 1 milhão com a venda de 37 animais, todo o sêmen importado para a feira se esgotou. Para o empresário, o maior investimento em genética indica que, a exemplo dos sojicultores, os pecuaristas estão apostando na tecnificação para obterem vantagens competitivas.


