O advogado Francisco Paula Mignoni é um típico poupador que busca simplicidade e segurança para seu dinheiro. Definindo-se como uma pessoa "tradicional", ele tem recursos guardados na caderneta "desde a época do Collor" - o período marcou uma geração porque, quando assumiu, em 1990, o então presidente Fernando Collor de Mello decidiu, dentro de seu plano econômico, congelar por 18 meses todas as contas correntes e cadernetas acima de 50 mil cruzados novos, a moeda corrente à época. "Mas eu tive um pressentimento e dividi meus recursos em vários bancos, abaixo desse valor, e não fui afetado", conta.
Mignoni admite que chegou a pesquisar outras formas de investimentos, mas o fato de a Caixa garantir o valor total dos depósitos (na maioria das instituições financeiras, o Fundo Garantidor de Investimento garante a devolução de até R$ 250 mil dos recursos em sua tutela, em caso de falência) o faz manter suas economias na poupança.
Para ele, não vale a pena correr riscos "por 0,2% ou 0,5% a mais" de rentabilidade". Além disso, a liquidez e a isenção de Imposto de Renda também pesam em sua decisão. "Prefiro não me aventurar", afirma, recordando de amigos que tiveram perdas em outras aplicações devido a mudanças de regras repentinas no passado.
A dona de casa Vanda Resende é outra que prefere esta forma de aplicação. Tem cadernetas no Sicredi, há dois anos, e no Itaú, há pelo menos oito. "Guardo para futura emergência, então, gosto de saber que posso retirar quando quiser. Eu nem conheço outros tipos de investimentos", admite.
Ela afirma que até já pesquisou, mas declinou de outras modalidades devido à incidência de Imposto de Renda, o que reduziria seus ganhos. Deposita o que sobra "depois de pagar as despesas da casa, que são cada dia maiores". Mas o hábito de guardar para o futuro só foi herdado, até o momento, pelo filho mais velho. "O mais novo ainda é adolescente, mas ainda pode começar a poupar", diz. (L.F.W.)

mockup