Cláudia Lopes
Os produtores brasileiros de frango estão rindo à toa. Considerado símbolo do Plano Real, a produção da ave passou de 3.411 milhões de toneladas em 94 para 4.498 milhões de toneladas no ano passado. A desvalorização cambial em janeiro deste ano impulsionou as exportações brasileiras, que desde o final de 97 vinham perdendo terreno para os frangos produzidos na Indonésia. Neste ano, o setor deve exportar 1 milhão de toneladas. No ano passado, foram exportadas 612 mil toneladas. ‘‘Nosso recorde foi há dois anos, quando exportamos cerca de 650 mil toneladas’’, afirmou o proprietário da Comaves, Paulo Muniz, que também é presidente da Associação da Indústria Avícola do Paraná (Avipar).
Em cinco meses, a produção brasileira deve chegar a 300 milhões de pintos - que equivalem a 6 milhões de toneladas de carne. No início deste ano, eram produzidos 240 milhões de pintos no País, o que significa um crescimento de 16% em menos de um ano. Das 6 milhões de toneladas previstas para dezembro, 5 milhões suprirão o mercado interno, contribuindo para o crescimento do consumo per capita, que passará de 24,5 quilos no ano passado para 32 quilos. Nos Estados do Sul do País, o consumo per capita atual já é de 34 quilos, segundo Muniz.
Ele calcula uma queda de mais de 20% no preço do frango para o consumidor desde o início do Plano Real. ‘‘Em julho de 94, vendíamos o quilo do produto para o varejo por R$ 1,23. Hoje, o preço varia de R$ 0,90 a R$ 1’’, afirmou ele, garantindo que o frango ainda é a melhor opção para o consumo dos brasileiros. ‘‘Tem supermercado vendendo o quilo de frango por R$ 1,15’’.
‘‘O frango ainda é o símbolo do real’’, defende Muniz. ‘‘De 95 até o ano passado, atravessamos um período difícil com retração e sucessivas crises econômicas em diversos países que acabaram interferindo nos negócios do setor’’, disse. Desde o ano passado, o setor tem migrado para aves de conformação em detrimento das de produção, ou seja, ao invés de uma produção maior de pintos passou-se a buscar produção de carnes mais nobres, que custam 35% mais do que o frango inteiro. A Comaves aumentou sua produção de cortes para 50% do total. Em 94, apenas 20% da produção da empresa era de cortes nobres como coxas e peito. A indústria pretende abrir um segundo turno de trabalho a partir do próximo ano, contratando mais 180 funcionários em Londrina. O grupo, que tem uma fábrica em Campo Grande (MS) e um centro de distribuição em Buenos Aires, na Argentina, gera mil empregos diretos. A empresa produz cerca de 105 mil aves por dia.

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