Simão elege reforma da previdência prioridade
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quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
Folhapress 
Brasília - Os estudos do governo para uma reforma da Previdência foram citados pelo novo ministro do Planejamento, Valdir Simão, ontem, na cerimônia em que recebeu o cargo do ministro Nelson Barbosa (Fazenda). Simão afirmou que novas medidas legislativas serão necessárias, além daquelas já enviadas ao Congresso, para buscar o equilíbrio das contas públicas.
"Em especial, para buscar o equilíbrio da Previdência Social. É preciso discutir os planos de benefícios, em especial as aposentadorias por idade e por tempo de contribuição", afirmou. "Precisamos discutir alternativas para retardar a entrada na inatividade. Isso pode se dar por estabelecimento de limite de idade ou por uma conjunção entre idade e tempo de contribuição. Nós temos hoje uma mudança significativa na nossa pirâmide demográfica em função da redução da taxa de natalidade, mas também pelo aumento da expectativa de vida das pessoas. E nós temos que adaptar o sistema para que ele tenha sustentabilidade, que ele se equilibre para garantir o benefício para as futuras gerações", afirmou Simão em sua primeira entrevista como ministro do Planejamento.
Barbosa já havia tratado do tema na última segunda-feira, dentro da estratégia do governo de usar essa reforma para tentar reduzir a reação negativa do mercado ao novo ministro da Fazenda. O ministro do Planejamento disse ainda esperar contar com o apoio do Congresso para aprovar essa e outras medidas fiscais que já foram enviadas, como a aprovação da CPMF.
Simão dispensou as expressões usadas normalmente pelo governo para classificar a crise atual e, ao invés de falar em "transição" ou "travessia", disse que "a economia brasileira passa por um momento crítico, com forte desaceleração da atividade". "Já estivemos em situação semelhante e temos plena condição de reverter esse quadro", afirmou.
Sobre a relação entre os ministérios da Fazenda e do Planejamento, que mantiveram histórico de atritos nas gestões Joaquim Levy e Nelson Barbosa, afirmou que a equipe econômica continuará trabalhando em conjunto, como um time, para garantir que esses objetivos sejam alcançados.
O ministro do Planejamento foi questionado por jornalistas ao final da cerimônia sobre a decisão do governo de pagar neste ano toda ou parte da dívida das pedaladas fiscais com bancos públicos e com o FGTS. "Nos próximos dias tomaremos a decisão. Eu defendo que devemos limpar essa agenda. O que for possível pagar neste ano, devemos pagar." Ao transmitir o cargo, o ministro Nelson Barbosa listou alguns projetos tocados durante sua administração no Planejamento, como a reforma administrativa (extinção de ministérios e cargos comissionados), que ainda está em andamento, e a segunda fase do PIL (Programa de Infraestrutura e Logística), que está com projetos licitados, em estudo ou em consulta pública.


