Sigilo absoluto marcou a negociação com indústria
As negociações entre a Prefeitura de Londrina com a direção da Atlas começaram há cerca de dois anos e foram feitas em absoluto sigilo, uma operação que mereceu cuidados extremos por parte das autoridades e dos executivos. A Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel) e a MGDK & Associados Ltda, empresa que prestou consultoria à Atlas, argumentavam que a revelação poderia atrapalhar, e até inviabilizar, a transferência da indústria para Londrina.
A saída foi constituir a empresa Beta-Sul, apenas como fachada, mantendo o nome Atlas a sete chaves. Executivos com nomes que poderiam ser reconhecidos, como Paulo Villares, não estiveram em Londrina durante a fase de negociações. O segredo chegou a gerar especulações de que a Caloi instalaria uma fábrica em Londrina, já que um dos diretores da MGDK, Ricardo Knoepfel, é presidente da indústria de bicicletas.
Somente depois de conhecido o nome da empresa é que o diretor da Atlas, José Ricardo Mendes da Silva, explicou que o sigilo foi necessário por motivos comerciais e para não gerar inquietação entre os funcionários da fábrica em São Paulo.
Mas se o segredo excessivo evitou possíveis problemas para a saída da empresa de São Paulo, causou algum transtorno durante a votação do projeto de lei que previa a doação de área para a empresa no final de 97. Os vereadores questionaram o fato da empresa. que receberia o benefício, ter sido criada há menos de 30 dias e dispor de capital ínfimo - R$ 1 mil.
Depois de alguma discussão, o prefeito Antonio Belinati sanciona em 3 de novembro de 97 o projeto de lei que cedia os 172.530,44 metros quadrados de uma área localizada na Cidade Industrial de Londrina à Beta Sul Indústria e Comércio Ltda, de São Paulo. A sanção foi feita durante solenidade na Câmara, logo após a aprovação do projeto de lei.





