Siemens quer entrar no setor de telefonia celular do Brasil
Emerson Cervi
De Curitiba
A divisão de informática e telecomunicações da Siemens no Brasil pretende entrar no mercado de telefonia celular brasileiro a partir do próximo ano. Para isso, a empresa depende que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) decida abrir uma terceira frequência para telefones celulares no Brasil, a chamada Banda C. A previsão é que a Anatel anuncie a Banda C até meados de 2000. Hoje a Siemens está fora desse mercado no país porque nossos produtos operam pelo sistema GSM e no Brasil existe apenas o CDMA e o TDMA, explicou o diretor geral da divisão de informática e telecomunicações da empresa, Aluysio Byrro.
GSM é o sistema usado em toda a Europa, parte da Ásia, América Latina e também nos Estados Unidos. Byrro esteve ontem em Curitiba, no econtro de fornecedores da fábrica de equipamentos para telecomunicações da Siemens que fica na Cidade Industrial de Curitiba (CIC).
Caso a Anatel defina que a faixa de operação da Banda C no Brasil será de 1,8 Gigahertz, ela só poderá ser operada pela tecnologia GSM. Existem 400 milhões de usuários de celulares no mundo pelo sistema GSM e apenas quatro países em CDMA ou TDMA, por isso acreditamos que a tendência do governo brasileiro será optar pelo sistema mais usado, afirmou o diretor.
A Siemens fatura por ano em todo o mundo mais de R$ 6 bilhões em sistemas e aparelhos celulares GSM. Se ela entrar no mercado brasileiro, a fábrica de Curitiba será a responsável pela produção para todo o país. Nossa previsão é que toda a parte sistêmica seja fabricada no Paraná e a produção dos aparelhos ficaria entre Curitiba e nossa unidade em Manaus, adiantou.
A divisão de Informática e Telecomunicações faturou R$ 1,1 bilhão no Brasil no ano passado. Isso representa cerca de 40% do total faturado pela Siemens. A fábrica de Curitiba foi responsável por R$ 940 milhões. Outras metas da divisão são ampliar o mercado de comunicação de dados no Brasil e aumentar a participação da Siemens na prestação de serviços, como operação de redes de telecomunições por exemplo.
Todas as metas foram anunciada durante encontro anual de fornecedores da fábrica de equipamentos para telecomunicações da Siemens. Buscamos cada vez mais estreitar nossos contatos com fornecedores, pois nossa competitividade depende deles, explicou Eber Machado, diretor industrial da Siemens em Curitiba. Na ano passado, a unidade de Curitiba teve um custo total de operação de R$ 250 milhões. Desses, R$ 200 milhões foram destinado à compra de cerca de 18 mil itens diferentes usados na montagem de seus equipamentos.
Participaram da reunião 97 fornecedores. A empresa premiou 45 deles por terem sido classificados com conceito excelente em qualidade, preço e atendimento. A tendência da Siemens é buscar parcerias com empresas locais e importar cada vez menos, explicou Machado. Os fornecedores que estavam na reunião de ontem são responsáveis por 70% da matéria-prima usada pela Siemens em Curitiba. A maioria é de São Paulo ou do Paraná.





