Siemens pode fechar fábrica em Curitiba
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terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Andréa Bertoldi com agências on-line <br>Equipe da Folha 
Curitiba - A multinacional Siemens, do setor de telecomunicações, anunciou ontem um programa de reestruturação global que vai atingir suas operações na matriz alemã e em filiais como a do Brasil, localizada em Curitiba. Fundada em 1975, a fábrica no Paraná emprega 470 funcionários e produz centrais digitais de PABX utilizadas por pequenas, médias e grandes empresas.
Em comunicado, a empresa anunciou que a unidade brasileira e uma na Grécia podem ser fechadas ou vendidas e que demissões nessas duas fábricas não estão descartadas. A informação foi divulgada ontem pela agência internacional EFE através do portal G1.
Segundo a agência, a empresa teria anunciado ontem que pretende reduzir 2 mil postos de trabalho na Alemanha, na central e em outras funções administrativas e de apoio de sua filial de telecomunicações. Ao mesmo tempo, a Siemens pretenderia transferir a empresas externas outros 3 mil empregos - dos quais 1.200 estão na Alemanha.
O fechamento ou venda foi negado pelo setor de Recursos Humanos da fábrica de Curitiba. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Eletroeletrônica de Curitiba e Região Metropolitana (Seletroar), Paulo Bastos, disse que não recebeu nenhuma informação oficial sobre a fábrica do Paraná onde são produzidas centrais telefônicas e telefones fixos por 850 funcionários. A assessoria de imprensa da Siemens em São Paulo informou que terá uma resposta oficial sobre o que deve ocorrer com a fábrica de Curitiba hoje.
''Esta redução de empregos será feita naturalmente da maneira mais respeitosa possível'' em relação às leis trabalhistas, disse o diretor de Finanças, Joe Kaeser, em entrevista coletiva em Munique.
O grupo quer evitar problemas sociais em sua separação da divisão de telecomunicações, por isso a criação de uma sociedade de transferência de emprego será uma medida importante, acrescentou. A Siemens quer transferir a um sócio sua divisão de telecomunicações ''isenta de dívidas'' e com suas finanças equilibradas, disse o executivo.
''Não haverá um segundo BenQ'', disse Kaeser, em referência à antiga divisão de telefonia celular da Siemens, vendida pelo grupo em 2005 ao consórcio taiuanês mencionado que anunciou sua quebra menos de um ano depois. Além disso, a empresa ainda tenta vender ou encontrar sócios para sua fábrica em Tessalônica (Grécia), com 270 empregados, ou mesmo fechá-la, a exemplo da unidade de Curitiba.
A companhia também quer vender os call centers na Argentina, Chile, Colômbia, Equador e Peru, nos quais trabalham 1.100 pessoas e que não fazem parte das atividades principais da SEN.
O diretor de Emprego e Recursos Humanos da Siemens, Siegfried Russwurm disse no comunicado que ''a empresa quer iniciar imediatamente as negociações com os representantes trabalhistas na Alemanha e espera concluir as conversas o mais rápido possível para proporcionar aos funcionários a maior segurança sobre seu futuro''.


