Curitiba A implantação da tecnologia GSM para celulares e a transferência de uma linha de produção de centrais telefônicas da Alemanha resgataram a capacidade produtiva da fábrica da Siemens em Curitiba. Após ser forçada a demitir funcionários em 2002, quando a produção de terminais de assinantes caiu para 20% do total fabricado em 2001, as novas estratégias de produção possibilitaram à empresa a contratação de 350 funcionários.
De acordo com o vice-presidente da Siemens, a decisão de transferir a linha de fabricação de centrais telefônicas para Curitiba fez com que a produção na unidade atingisse níveis recordes. ''Curitiba concentra agora dois terços da produção mundial das centrais telefônicas. A atividade fez com a fábrica agora funcione em três turnos. Tentamos recontratar a maioria dos funcionários dispensada no ano passado, e ainda precisamos recorrer a novos colaboradores'', comemora o vice-presidente da companhia no Brasil, Aluízio Byrro. A empresa gastou R$ 20 milhões para implementar a nova linha de produção.
Além de atender o mercado interno, as centrais telefônicas fabricadas em Curitiba serão destinadas ao mercado externo. A Siemens acredita que as exportações da unidade, em 2005, podem superar os US$ 100 milhões. ''A demanda no mercado interno depende da economia. Quando a economia vai bem, o mercado interno absorve melhor a produção. Mas mesmo em tempos de crise, ainda há procura por centrais telefônicas, que podem diminuir os custos das empresas'', afirmou Byrro.
Além da nova linha de produção, a recente implantação da tecnologia GSM no País também deu um impulso para as atividades da fábrica em Curitiba, que produz estações rádios-base GSM. A competição entre as empresas que tentam entrar no novo mercado, como a Claro e a Vivo, chegaram a suplantar a capacidade produtiva da fábrica. ''Tivemos problemas em atender a demanda. Mas agora que essa primeira fase da implantação das redes GSM no Brasil está acabando, vamos poder começar a exportar para outros países, começando por aqueles que integram o Mercosul'', comentou Byrro.
O vice-presidente da empresa estima que o interesse dos consumidores pelos celulares que operam com a tecnologia GSM irá causar a extinção das operações com TDMA, tecnologia utilizada atualmente na maioria dos celulares e que não possui tantos recursos na transmissão de dados. ''Creio que num prazo de cinco anos, o TDMA deve deixar o mercado. A medida que os usuários migram para outro sistema, ficará cada vez mais caro para as operadoras manter o funcionamento da tecnologia antiga'', destacou.
Pelos dados da Siemens, um milhão de linhas de celular foram vendidas em outubro, sendo que metade delas já utiliza o sistema GSM. Apenas 300 mil unidades vendidas funcionavam com TDMA, e 200 mil com CDMA, um sistema superior ao TDMA. ''O que nos surpreendeu não foi ver o crescimento do GSM, mas sim ver que o TDMA ainda está superior ao CDMA. Mas a medida que mais pessoas se acostumam com recursos como transmissão de dados, downloads e fotos através do celular, as vendas de TDMA devem diminuir'', acredita Byrro.

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