Curitiba - A Força Sindical do Paraná vai solicitar hoje aos deputados estaduais que não aprovem a mensagem do governador Jaime Lerner (PFL) que extingue a Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho, cujas funções devem ser incorporadas pela Secretaria do Planejamento e Desenvolvimento Econômico, comandada por Miguel Salomão. O órgão teme pela gestão de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
Lerner anunciou a mudança, junto com a reforma do secretariado, no final do ano passado, mas para a regra valer é preciso ainda aprovação da Assembléia Legislativa. ‘‘Ao extinguir a secretaria, o governador não dá importância à industrialização atual do Paranᒒ, afirmou o presidente estadual da Força, Sérgio Butka. Para ele, a proposta é ‘‘grande retrocesso’’ para a economia paranaense. ‘‘No estágio atual de industrialização, será uma grande falha não ter secretaria de emprego.’’
Butka se disse preocupado com a administração dos recursos do FAT, que no ano passado somaram R$ 19,4 milhões apenas para a qualificação de trabalhadores no Paraná. Cerca de 165 mil pessoas receberam treinamento com esse montante. Em 1995, ano que foi criada a pasta, o repasse do FAT para o Estado foi de apenas R$ 1,5 milhão para a qualificação de 18 mil profissionais. No ano seguinte, esse valor passou para R$ 7,8 milhões, beneficiando 95 mil pessoas. ‘‘Nosso grande medo é que o Estado volte para o patamar de 1995’’, apontou Butka.
Para a Força Sindical, o argumento do governo em extinguir a secretaria para enxugar a máquina administrativa não procede. ‘‘A secretaria é mantida com dinheiro federal, do FAT’’, afirmou.
Segundo a assessoria de imprensa da pasta, o governo estadual entra com 20% dos recursos e o FAT com 80%. A previsão do órgão é que neste ano o repasse do FAT chegue a R$ 19,4 milhão, como em 2001, mas que o número de profissionais treinados chegue a 186 mil. A reportagem procurou representantes da secretaria ou da nova Secretaria do Planejamento para falar sobre o assunto, mas ninguém quis se pronunciar.

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