Rio de Janeiro A indústria siderúrgica aumentou em 10,8% a produção de aço bruto no ano passado em relação a 2001. A produção de semi-acabados principal item de exportação do setor cresceu 14,6%, acompanhando o aumento de 29,7% das vendas externas, de acordo com os dados do IBS (Instituto Brasileiro de Siderurgia) divulgados ontem.
O presidente do IBS, José Armando de Figueiredo Campos, anunciou que a produção total atingiu 29,6 milhões de toneladas, volume que colocou o Brasil como o 8º maior produtor mundial de aço. Esse crescimento foi consequência de investimentos feitos anteriormente e de distorções estatísticas. Em 2001, a produção foi menor em função da parada para manutenção de altos-fornos.
Do total produzido, 15,8 milhões de toneladas abasteceram o mercado doméstico, volume apenas 0,9% maior ao do ano anterior. ''O terceiro trimestre foi negro'', afirmou Campos.
As vendas domésticas recuperam-se no final do ano motivadas também pela queda nas importações, estimada em 34,9%. Os dados referentes ao mercado externo serão consolidados depois que a Secex (Secretaria de Comércio Exterior) divulgar os números finais de 2002.
Campos disse que a alta do dólar inibiu as importações, mas foi um fator secundário no crescimento de 29,7% das exportações. Segundo ele, o setor trabalha com encomendas antecipadas e houve modificação no perfil dos compradores. O destaque foi a China, destino de 60% das vendas para a Ásia.
Campos calcula que o setor tenha respondido por cerca de 5% das exportações brasileiras no ano passado com giro financeiro de US$ 3,1 bilhões. As importações somaram US$ 500 milhões.
O IBS projeta crescimento de 4,8% na produção bruta deste ano e aumento de 6% nas exportações. Trabalha com cenário de inflação entre 10% e 11%, crescimento de 2% do PIB e dólar a R$ 3,50 no encerramento do ano.
O setor aguarda para breve uma reunião de representantes da indústria com os ministros Antonio Palocci Filho, da Fazenda, e Luiz Furlan, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.
Campos disse que ressaltará a importância da estabilidade macroeconômica, destacará a necessidade de capital para o crescimento do setor e o papel do BNDES nesse cenário. Afirmou ainda que espera que o PT mantenha ''a postura dura do governo anterior'' nas negociações com outros países no que se refere às barreiras alfandegárias.

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