Sicredi afirma ter taxas menores
Em visita ontem à FOLHA, o presidente do Sicredi União, Wellington Ferreira, disse que as novas taxas dos bancos públicos não interferem nas cooperativas de crédito. ''Temos taxas mais baixas que essas há muito tempo'', afirma. Segundo ele, para pessoas físicas, a taxa inicial é de 1,65% e, para as empresas, de 1,25%. ''Elas variam conforme a Selic (taxa básica de juros definida pela Copom)'', afirma.
Apesar de declarar que ''há gordura para cortar'' nos juros cobrados pelos bancos, Ferreira ressalta que a presidente Dilma Rousseff deveria fazer as reformas tributária e trabalhista antes de pressionar as instituições financeiras. ''Tem de fazer o dever de casa. É muito fácil olhar só para a casa dos outros'', critica.
De acordo com o presidente do Sicredi, 40% do spread bancário está relacionado à carga tributária. ''O governo também precisa levar em conta o custo do dinheiro e a altíssima inadimplência'', defende. Ele também diz temer um aumento dos preços. ''Não sei se temos a inflação tão controlada a ponto de jogarmos tanto dinheiro no mercado'', pondera.
Ferreira ''duvida'' que o governo consiga reduzir os juros reais da economia brasileira a 2% ao mês até o fim do mandato da presidente. ''Isso é coisa para países muito ricos. Temos uma inflação de 5,5%. Ela teria de zerar a inflação e fazer o dever de casa (reformas)'', considera.
De acordo com o presidente do Sicredi, não é possível baixar a Selic para muito menos que os atuais 9%. ''Se descontarmos a inflação, sobram menos de 4%. Com a inadimplência e o custo trabalhista que temos, é impossível chegar (ao que o governo pretende)'', alega.
A Cooperativa
O Sicredi União, cuja área de abrangência são o Norte e o Nordeste do Paraná, tem hoje 60 mil clientes/cooperados e pretende atingir 100 mil até 2015. Segundo o presidente Wellington Ferreira, a cooperativa busca clientes de todos os tipos entre pessoas físicas e jurídicas.
Para se associar ao Sicredi, é preciso apresentar um capital social de, no mínimo, R$ 20. ''Temos várias vantagens em relação aos bancos comuns. Uma delas é a distribuição de sobras aos cooperados no final do ano'', ressalta. Ele lembra também que o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) é bem menor nas cooperativas de crédito: 0,38% contra 2% a 3% nas demais instituições. (N.B.)





