Cerca de 8 mil produtores e técnicos devem participar do 2º. Show Tecnológico do Arenito Caiuá, marcado para os dias 1 e 2 de fevereiro em Umuarama. O evento vai mostrar técnicas e culturas adaptadas para o solo arenoso da região, principalmente a soja, que não era cultivada até quatro anos atrás e agora ocupa mais de 100 mil hectares. O show será realizado na Fazenda Haiti , na rodovia 487, no quilômetro 6, saída para Serra dos Dourados.
O Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e empresas agropecuárias cultivam lavouras experimentais em 20 alqueires da Fazenda Haiti. É da pesquisa do Iapar que vem a tecnologia da integração lavoura-pecuária. Segundo o engenheiro agrônomo Edson Assis Bastos, durante os dois dias do show os participantes vão conhecer cerca de 150 experimentos no local. São variedades de soja especialmente desenvolvidas para o clima e solo da região, variedades de grãos e forrageiras para cultivo no inverno e outras opções para o arenito como o abacaxi, a pupunha e citros.
Também são feitas demonstrações de técnicas de plantio e colheita, uso de máquinas e demonstração de ganho de peso em pastagens, através de culturas já testadas e aprovadas para plantio no solo arenoso. O Show Tecnológico é promovido pela prefeitura, Emater e Associação dos Engenheiros Agrônomos de Umuarama (Areau), com o apoio de outros órgãos e empresas de assistência e pesquisas agrícolas.
A novidade do Show Tecnológico deste ano é uma lavoura de 5 alqueires de soja orgânica, cultivada sem uso de agrotóxicos. É a primeira experiência no município. A soja orgânica já é cultivada no Sudoeste do Estado e tem melhor remuneração no mercado, 13,5 dólares a saca, enquanto o produto tradicional está cotado a 10 dólares a saca.
‘‘Queremos mostrar o potencial agropecuário do Noroeste’’, disse ontem o prefeito Fernando Scanavaca, idealizador do Programa de Arrendamento de Terras (Pater) da prefeitura de Umuarama que incentivou o cultivo de soja na região como forma de reformar pastagens degradadas e gerar mais riquezas. O pater intermedia arrendamentos entre pecuaristas e produtores de soja.
No primeiro ano do Pater em 98, foram plantados 20 mil hectares que renderam 800 mil sacas de soja e uma renda bruta estimada em R$ 12 milhões. Em 99, a área cresceu para 50 mil hectares e a safra alcançou dois milhões de sacas, cerca de R$ 30 milhões. No passado foram plantados 90 mil hectares que devem produzir quase 4 milhões de sacas. Além do Pater, outros programas como o da Cocamar e da Prefeitura de Paranavaí também passaram a incentivar o plantio de soja no arenito.
Segundo o pesquisador do Iapar, Elir de Oliveira, que há quatro anos desenvolve pesquisa para integração lavoura pecuária na região Noroeste, o arenito é tão bom quanto os melhores solos do Paraná.

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