Paulo Pegoraro
De Cascavel
O Show Rural 2000, da Cooperativa Agropecuária Cascavel (Coopavel), que entra hoje em seu terceiro dia - e tem como proposta mostrar a agropecuaristas o resultado da pesquisa nos setores de seu interesse -, encaminhou ontem vários negócios como a assinatura de um protocolo entre o Município de Cascavel e um grupo da China, representado pela empresa Cootecnia.
O protocolo, apoiado pelo Estado, reverterá na instalação de duas agroindústrias (e outras unidades industriais), com investimento global de US$ 125 milhões, e gerando inicialmente mil empregos diretos. Já a Coopavel firmou parceria com uma empresa (Zeneca) que atua no Brasil, na área de defensivos, para projeto de educação ambiental de crianças (ver caderno Cidades).
O show, no Centro Tecnológico Coopavel, foi visitado ontem por 22 mil pessoas, e, entre as autoridades presentes a vice-governadora Emília Belinati e secretários de Estado entre outras autoridades. Emilia disse que o evento ‘‘é grande oportunidade, principalmente para pequenos produtores’’, de ver o resultado da pesquisa e aplicá-lo em suas propriedades.
A vice-governadora também salientou o fato do Show ser ‘‘palco’’ para ‘‘outros desdobramentos na cadeia produtiva’’, caso do protocolo com a Cootecnia, que ela subscreveu. O documento foi assinado pelo prefeito Salazar Barreiros e pelo diretor da organização, Ali Hatter Dami - que chefia a representação do grupo chinês no Paraguai, com um parque industrial nas imediações de Assunção, a capital daquele país.
A Cootecnia recebeu 180 mil metros quadrados de área no Parque Industrial de Cascavel, para instalar indústrias têxtil (de algodão), de doces (frutas) em lata, tênis e botijões de gás. O grupo chinês, que é sediado em Pequim, e tem parceiros árabes, também está adquirindo 20 mil hectares para cultivo de algodão e fruticultura, para abastecer suas indústrias.
Os chineses têm preocupação com a instabilidade política e econômica do Paraguai, por isso a opção pelo Brasil, e consideraram o fato de Cascavel ocupar lugar estratégico, próximo às fronteiras de três países do Mercosul - Brasil, Paraguai e Argentina, além das condições favoráveis para produção de matérias-primas. As negociações com o Município ocorreram ao longo dos últimos 7 meses, sem divulgação.