O Salão do Automóvel de Paris comemora o seu centenário em grande estilo, com o recorde de 30 lançamentos. Entre os carros que estarão sendo apresentados ao público a partir de amanhã, vários estarão no Brasil em breve, alguns fabricados pelas novas montadoras. É o caso dos dois franceses compactos Renault Clio 2 e Peugeot 206. O primeiro, apresentado à Europa agora, será produzido na fábrica da Renault no Paraná em setembro do próximo ano. O 206 - um dos destaques do Salão de Paris - é o modelo que a Peugeot escolheu para estrear sua fábrica em Porto Real, no Rio de Janeiro, no começo do ano 2000.
Por ser um dos mais badalados e, por consequência, o que merece maior atenção da mídia, o Salão de Paris costuma ser escolhido pelos fabricantes para os principais lançamentos. A mostra, que termina dia 11, deverá ser visitada por um milhão de pessoas, segundo os organizadores, número quase igual ao da última edição há dois anos.
Entre as 800 marcas, vindas de 30 países, uma das principais novidades é o Focus, o modelo médio da Ford, que tende a gradativamente substituir o Escort. A direção da montadora anunciou ontem que pretende manter os dois modelos no mercado. Assim, o Focus ocuparia uma faixa intermediária, abaixo do Mondeo.
Trata-se de uma nova plataforma de carro mundial, sobre a qual vai derivar uma família de veículos, incluindo uma perua. O Focus importado será vendido também no Brasil em data não definida.
Segundo o diretor geral da Renault para o Mercosul, Luc-Alexandre Menard, o mercado de carros populares está crescendo no Brasil mais do que a própria Renault imaginava. Por isso, a empresa, que inicia a operação da fábrica do Paraná com a produção do modelo médio Megane Scenic, vai se apressar para começar a produzir o Clio 2 nove meses depois. Segundo ele, a fábrica brasileira pode dar à marca facilidade para ter de 4% a 5% do mercado do Brasil em três anos. Hoje a participação da marca é de 1,4%. Ele disse que a entrada de novas montadoras fará os precos baixarem.
A concorrente Peugeot apresenta em Paris o seu 206, o substituto do 205, que também era fabricado na Argentina e exportado para o Brasil. O modelo representa uma inovação nas linhas dos automóveis da marca. Despojado, o carro ganhou linhas extremamente arredondadas, mostrando que essa tendência deverá prevalecer nos carros lançados na virada do século.
Uma das novidades da Volkswagen é o Lupo, um carro pequeno e leve, feito para ser muito econômico e alcançar até 33 quilômetros com um litro de gasolina. No mesmo estande, a montadora mostra o Bora, montado sobre a plataforma do Golf. Trata-se de um sedan que vai substituir o modelo Vento na Europa e que pode também ser fabricado no Brasil. A direção da Volkswagen não confirma a informação, embora possa aproveitar a facilidade de o Bora utilizar a mesma plataforma do novo Golf, o veículo que será feito na nova fábrica da marca alemã, no Paraná. O novo Fusca, que já alcançou sucesso nos Estados Unidos, também estréia hoje na Europa no Salão de Paris.
Apesar de alguns destaques nos chamados carros-conceito, o Salão de Paris se revela uma exibição muito mais voltada para a realidade. Na véspera da virada de século, a exposição - recheada mais por carros compactos e médios - não tem o tom de fantasia. O que se vê nos estandes espalhados em oito pavilhões do grandioso espaço em Porte de Versailles são os automóveis que o consumidor de hoje procura para comprar, pela versatilidade, economia e conforto.

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