De cada dez pessoas que entram em um shopping center, pelo menos cinco têm um objetivo fixo que é o de ir à praça de alimentação para fazer um lanche e só depois percorrer as lojas para olhar vitrines ou fazer compra. Esta atração do público pela área de lazer de um centro comercial chama atenção de lojistas e administradores dos shopping centers, que não imaginam mais estes locais sem um espaço reservado para a alimentação. O movimento de venda das lojas está muito atrelado à qualidade e variedade de pontos destinados aos fast foods, avalia a totalidade dos lojistas.
‘‘É uma via de duas mãos. A praça de alimentação atrai o público, que está nas lojas, e quem entra num shopping para fazer compras termina o dia fazendo um lanche’’, afirma a gerente de Marketing do Shopping Crystal, Liliam Vargas. Ela diz que uma média de 13 mil a 15 mil pessoas circula pelo Crystal em um dia, sendo que 50% deste total entra no shopping para ir a uma das três praças de alimentação espalhadas em cada um dos andares do centro comercial.
Cada espaço reservado para as lojas de fast food tem um tipo de público, que varia desde os adolescentes até famílias com crianças. O local é tão eclético que chega a atrair até os poetas e escritores da Academia Paranaense de Letras, que se reúnem uma vez por mês para passar a tarde em uma confeitaria e casa de chá do Crystal. Depois do encontro, muitos deles passeiam pelo shopping para ver as vitrines e fazer compras. São 169 lojas e 35 pontos destinados à alimentação.
Os executivos também são levados ao shopping pelo estômago. Sem muito tempo para almoçar, eles optam pela comida rápida servida na praça de alimentação. Depois do cafezinho, também se embrenham nas lojas. As famílias que vão ao shopping apenas para levar os filhos para comer um Big Mac também se tornam vítimas dos lojistas. Sempre após o lanche, há um tempinho para fazer uma compra. Cerca de 60% das famílias que vão a um shopping levam crianças.
O diretor de Marketing do Shopping Muller, Marcos Villanova, reforça a tese de que um shopping não sobrevive sem oferecer ao público uma boa estrutura para alimentação e lazer. Mas ele ressalta que é necessário ter algumas lojas âncoras na praça de alimentação. No caso do Muller, McDonald’s e Mister Sheik são considerados fundamentais para a atração do público.
Villanova diz que não basta ter boas lojas de fast food, pois é necessário oferecer variedade de comidas para agradar a todos os clientes. ‘‘Teoricamente temos que incluir no mix do shopping, restaurantes com os mais variados tipos de comida. Não adianta ter apenas comida japonesa’’, exemplifica. ‘‘O objetivo é atender todos os gostos e atrair muitos consumidores’’.

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