Shoppings de desconto ganham espaço
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sábado, 05 de agosto de 2000
Vânia Casado De Curitiba 
O consumidor de classe média está mais consciente e não tem mais vergonha de procurar locais que vendam produtos mais acessíveis ao seu bolso. Essa é a explicação para o sucesso de público dos shoppings de descontos, que vivem lotados e suas administrações anunciam novos investimentos. Enquanto isso, os shoppings tradicionais, voltados às classes A e B, tentam se sustentar mostrando que têm público certo. As liquidações anuais são prova que outras classes também querem adquirir produto baratos, mesmo que sejam de grife.
Nessa disputa por mercados, muitos shoppings simplesmente desapareceram. Em Curitiba, é o caso do Shopping Todeschini e, recentemente, o Shopping Champagnat, que acaba de colocar toda a sua área para alugar. Não se sabe se o local pode voltar a ser um shopping ou pode virar outro empreendimento. O faturamento das lojas extremamente deficitário não era suficiente para as despesas com aluguel, condomínios e taxas de propaganda, que oneram o lojista e reduzem o rendimento. Tanto o Todeschini quanto o Champagnat foram construídos em bairros nobres de Curitiba.
Os chamados shoppings de vizinhança, pequenos centros comerciais localizados nos bairros para atrair o público local, uma onda que surgiu entre 1995 e 1996 também não se sustentou, em função dos custos de locação. Em contraponto aos altos custos de aluguel e manutenção dos pontos nos shoppings tradicionais, surgiram os shoppings de descontos com o conceito de oferecer produtos mais baratos.
Era tudo o que a classe média queria, disse a publicitária Silvia Watanabe, da agência Bronx Comunicação. Principalmente com o plano Real, onde a preocupação com o orçamento passou a ser uma constante. Sílvia explica que essa mudança de comportamento começou na década de 90, quando o consumidor ficou mais consciente de seus direitos, com o novo Código de Defesa do Consumidor. As pessoas descobriram que não era feio pagar menos.
Para o diretor comercial do PolloShop, Ivo Petrys, apesar do poder aquisitivo da classe média ter melhorado, o fato é que aumentou o número de bens e serviços que quer usufruir. São os dois carros, geralmente um sempre financiado, o ballet da filha, o esporte do filho, o inglês dos dois filhos, pagamento de convênio médico, escola particular, Internet, TV a cabo, clubes, poupança, almoço fora.
Esse novo conceito fez o sucesso do PolloShop, que já estendeu uma filial no bairro do Champagnat e agora voou mais alto. Selou, esse semana, a compra do Estação Plaza Show um grande shopping de lazer e entretenimento, onde foram investidos cerca de R$ 70 milhões, mas não deu certo. O grupo PolloShop e o empresário Miguel Krigsner compraram o Estação pelo valor de sua dívida e se comprometaram a investir R$ 10 milhões na construção de 170 lojas, onde vai funcionar um novo shopping na cidade, também com o conceito de varejo de valor, que é o mesmo dos shoppings de desconto.
O Shopping Total, outro empreendimento de sucesso que surgiu há pouco mais de três anos também seguiu a trilha do PolloShop e se prepara para um novo empreendimento em Ponta Grossa, com 220 lojas. Para o diretor superintendente do Shopping Total, Rubens Deidg, além da variedade, qualidade e preço oferecidos nos shoppings de descontos, o baixo custo de manutenção das lojas é outro fator que têm atraido os empresários.
A diretora de Marketing do Shopping Crystal, Lilian Vargas, sustenta que sempre haverá público para os empreendimentos de classe A e B. Ela admite que o Crystal está procurando outras opções como feira de artesanato para atrair outro tipo de público, mais heterogêneo.


