Curitiba - O juiz Antônio de Sá Ravagnani, da 2 Vara Cível de Maringá, deu prazo de dez dias para que o Aspen Park Shopping, o principal da cidade, devolva as ações pertencentes à família Pasquinelli e a Irapuã Administradora de Imóveis. O despacho, assinado no dia 14 de maio, julga extinto o processo com julgamento de mérito e condena ainda o Aspen Park ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios fixados em R$ 80 mil.
De acordo com o advogado de Curitiba, Olivar Coneglian, que defende a família Pasquinelli, o médico obstetra Galilleu Pasquinelli Filho e a mulher dele, Guayres de Azevedo Pasquinelli, venderam uma área de 4.452 metros quadrados na região central de Maringá para a construção de um shopping center, um hotel, um flat, um edifício comercial e outro empresarial. O negócio foi realizado no dia 1º de junho de 1994. Como pagamento, o casal receberia 11,5% sobre o empreendimento do shopping e mais 7,5% sobre os demais empreendimentos.
''Era um contrato de risco. Se o shopping fosse mal, o casal perderia dinheiro. Mas se fosse bem, ganharia'', informou o advogado. Outra área de 580 metros quadrados da empresa Irapuã Administradora de Imóveis, da família Pasquinelli, foi vendida para o empreendimento. A empresa do setor imobiliário ganharia como troca pelo imóvel 7,5% do total do empreendimento do shopping e outros 7,5% dos demais empreendimentos. As duas negociações foram devidamente registradas em cartório.
Entretanto, o casal só assumiu as ações no shopping durante um pequeno período em 1998. Pasquinelli teria iniciado uma série de questionamentos administrativos e teria até pedindo a mudança administrativa no shopping sob pena de risco financeiro. ''Os demais acionistas marcaram uma assembléia às escuras e acabaram retirando o casal do empreendimento e vendendo irregularmente as ações que eram dos Pasquinelli'', pontuou Coneglian.
A ação, que estava na Justiça desde dezembro de 1999, concede a família o direito de tutela antecipada. Ou seja, mesmo que haja recurso, o shopping tem que cumprir a decisão judicial sob pena de execução. Somente as ações pertencentes aos Pasquinelli e a imobiliária, segundo levantamento técnico encomendado pelo advogado, valem cerca de R$ 36 milhões.
O advogado da Aspen Park, Paulo Diper, foi procurado ontem pela Folha. Ele não quis dar entrevistas. Disse que iria buscar autorização para que alguém desse entrevista explicando a ação judicial. Entretanto, até o fechamento dessa edição ninguém havia retornado aos telefonemas da reportagem.

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