O crescimento da economia brasileira e a elevação do status do País, como opção segura para investimentos, está atraindo capital de investidores estrangeiros para o segmento de shopping centers. Aliás, esta ''injeção de recursos'' deverá fazer o setor crescer entre 12% e 15% nos próximos dois anos, segundo Paulo Agnelo Malzoni Filho, chairman da Brascan Shopping Centers. Ele foi o moderador do painel que discutiu a conjuntura internacional e crescimento do setor de shopping centers no mundo durante a 10 Expo Shopping.
Segundo Malzoni, no Brasil o setor cresce a taxas superiores do que no restante do mundo devido ao crédito farto ao consumidor e à melhoria de renda da população. Nos últimos anos, por exemplo, o segmento aumentou entre 5% e 6%, enquanto a União Européia e os Estados Unidos passam por uma fase de retração. ''Investidores estrangeiros estão chegando ao País via associações ou aquisições'', disse. Além disso, o Brasil apresenta menos barreiras para investimentos estrangeiros do que outros países em desenvolvimento como a Rússia e a China.
Ele acrescentou que grupos estrangeiros que fizeram investimentos naqueles países estão com dificuldades para operar o negócio e para crescer porque o mercado é mais controlado pelos governos. ''Ainda há coisas a mudar (no Brasil), mas estamos aproveitando o momento com vários projetos em desenvolvimento. Estes investimentos (estrangeiros) começaram a chegar pela Região Sudeste, mas a tendência é pulverizar pelas outras regiões'', observou o chairman. Na sua avaliação, a tendência mundial é que os shoppings cresçam mais do que o varejo tradicional.
Mulheres
Outro assunto discutido durante o evento foi o papel da mulher como executiva da indústria de shopping. Assim como no restante do mercado de trabalho, o sexo feminino está, cada vez mais, ganhando cargos de gerência o que até então não era praxe. ''As mulheres têm habilidades que podem ser aproveitadas como a capacidade de planejamento e, além disso, têm mais escolaridade do que os homens'', disse Liliane Dutra, diretora de Operações da Brascan. Além disso, como as mulheres são as maiores consumidoras de shopping (entre 51% e 54% do total do público), elas tendem a observar melhor o negócio.
''A mulher pesquisa, analisa o produto antes de comprar e, por isso, é uma consumidora mais exigente. Na área de comercialização, as mulheres costumam antecipar as necessidades dos consumidores'', comentou Liliane. Na sua avaliação, inclusive, a presença das mulheres no shopping já é uma realidade absorvida pelo mercado e, por isso, a tendência é que essas discussões não ocorram mais. ''A 'próxima onda' de discussões não será mais os gêneros, mas acredito que será a idade'', comentou. (F.M.)

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