A distribuidora Shell do Brasil está enxugando sua estrutura de postos de combustíveis na região Sul do País, após contabilizar um prejuízo de R$ 77 milhões no ano passado. A multinacional alega que não suporta mais conviver com a ilegalidade do mercado, onde prevaleceria a sonegação fiscal e a adulteração de combustível. ‘‘Infelizmente a Shell nunca havia operado num mercado tão bagunçado como o brasileiro antes’’, desabafou Bruno Motta, diretor de vendas da Shell no varejo.
No Paraná, a multinacional vendeu os contratos com todos os direitos e deveres de 91 postos de combustíveis. De 270 postos com a bandeira da Shell, deverão permanecer 179. Na região Sul, incluindo os três Estados, estão sendo vendidos 254 postos e mais três bases de distribuição no Rio Grande do Sul. A Shell ainda permanece com 425 postos nos Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A mudança de bandeira nos postos será formalizada no dia 1º de março.
Os postos estão sendo vendidos para o grupo italiano Agip, que concordou em assumir inclusive os postos que estão dando prejuízo e os que estão com pendências judiciais com a distribuidora. Antes da venda da rede de distribuição, a Shell descredenciou 400 postos que estavam vendendo produto adulterado, o que elevava os prejuízos da distribuidora. O descredenciamento gerou cerca de 100 ações, que estão tramitando na Justiça.
A Shell é a terceira companhia de petróleo no mundo e a Agip, a sétima. Além da perda de competitividade decorrente da adulteração de gasolina e da sonegação fiscal por parte das distribuidoras que estão atuando de forma ilegal no País, a distribuidora alega necessidade de reduzir custos para recuperar competitividade.
Motta não divulgou o valor da transação com a Agip, alegando sigilo de contrato, mas garantiu que tudo está sendo feito da forma mais transparente possível. Motta esteve ontem em Curitiba para detalhar o plano de reestruturação da empresa na região Sul aos revendedores. Nos postos remanescentes desse processo, a Shell quer direcionar seus investimentos na modernização. Neste ano, o grupo planeja investir R$ 25 milhões na modernização dos postos.
O enxugamento dos postos se concentra na região Oeste dos três Estados, sendo que no Paraná a Shell está mantendo apenas 17 postos nas rodovias e algumas unidades em cidades maiores da região. No contrato com a Agip, se comprometeu a não colocar mais sua bandeira em nenhum posto em curto e médio prazos. Os postos remanescentes ficam nas regiões litorâneas dos três Estados, onde a concentração demográfica é maior, o que reduz o custo de distribuição. Nessas áreas, não há restrição para a Shell voltar a ter postos.
Com essa reestruturação, a participação da Shell no comércio varejista de combustíveis no Paraná cai de 14% para 12%. Por outro lado, o grupo Shell está reforçando seus investimentos em prospecção de petróleo em parceria com a Petrobras. O grupo vem investindo entre US$ 50 milhões e US$ 140 milhões em cada um dos seis blocos de exploração, distribuídos entre as bacias de Campos (RJ), Santos (RJ) e da foz do Rio Amazonas.

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