Sheik do petróleo verde
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terça-feira, 19 de agosto de 2008
Eduardo Magossi<br> Agência Estado 
São Paulo - O Brasil será o principal fornecedor mundial de biocombustíveis na próxima década. Segundo estudo da RC Consultores, de São Paulo, divulgado ontem, o Brasil deve chegar em 2015 produzindo cerca de 49 bilhões de litros de etanol dos quais deverá exportar perto de 13,16 bilhões de litros. ''Os 35 bilhões de litros restantes deverão ser absorvidos pelo mercado interno brasileiro, que continuará sendo o principal destino do combustível renovável'', afirma Fábio Silveira, responsável pelo levantamento.
A previsão é de que cerca de 18 milhões de automóveis flex fuel rodem pelo país em 2015. A produção norte-americana continuará centrada no milho e, de acordo com o consultor, não deverá ser reduzida no período analisado. Segundo ele, o crescimento da produção de etanol de milho dos Estados Unidos será menor que o registrado nos últimos anos e continuará crescendo, devendo chegar a 56 bilhões de litros em 2015.
Ao contrário do Brasil, contudo, os Estados Unidos não deverão produzir um grande volume de excedente para exportação. ''Os Estados Unidos não possuem capacidade para produzir etanol de milho a custos competitivos com os do Brasil para atender o mercado internacional'', disse.
Ele acredita que Índia e China também deverão iniciar seus investimentos no etanol, mas apenas para aquisição de tecnologia. ''Estes países continuarão dando mais atenção à vertente de alimentação e não energética dos grãos e da cana'', explica.
Para Silveira, o Brasil é o único país que possui meios para elevar sua produção com custos baixos e manter sua competitividade no mercado internacional. Enquanto o Brasil vai se manter como principal exportador de etanol, em 2015, os Estados Unidos deverão importar 12,145 bilhões de litros, a China, 2,6 bilhões de litros e o Japão, 1,097 bilhão de litros de etanol.
Apesar da dispersão da cana pelo País, principalmente pelos Estados de Mato Grosso e Goiás, a produção sucroalcooleira do Brasil continuará concentrada no Centro-Sul, aponta o estudo. Segundo Silveira, atualmente a cana ocupa apenas 2,5% das terras aráveis do Brasil e as regiões produtoras estão cerca de 2.000 km distantes da Amazônia, e não está provocando prejuízos diretos àquela região.
Preços
Os preços do etanol deverão registrar queda no mercado interno a partir de 2010, de acordo com estudo. Segundo Silveira, entre 2010 e 2012 haverá um choque de oferta no mercado interno decorrente da entrada em operação de um grande número de usinas de cana atualmente em construção.
Silveira estima que, nos próximos anos, cerca de R$ 25 bilhões serão investimentos no setor. A estimativa da União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica) é de que US$ 33 bilhões sejam alocados no setor sucroalcooleiro entre 2008 e 2015, basicamente na expansão da produção de etanol.
O consultor estima que a partir de 2013 os preços voltarão a se recompor em virtude do aumento da demanda interna e também da demanda internacional. Silveira prevê que o litro deve se situar em torno de US$ 0,50 em 2015. Neste período, a expectativa é de que a comercialização de etanol cresça, por ano, cerca de R$ 51 bilhões, sendo R$ 16 bilhões com exportação e R$ 35 bilhões com mercado interno, atingindo a movimentação, em 2015, de R$ 1,326 trilhão.
Para o consultor, Estados Unidos e Japão serão os principais destinos do etanol brasileiro. ''Até o etanol a partir de celulose ganhar escala comercial, o que pode demorar, os Estados Unidos ficarão reféns dos custos elevados do etanol de milho'', disse. Dos 56 bilhões de litros de etanol que os Estados Unidos devem produzir em 2015, 49,809 bilhões devem ter origem no milho.


