Empresários, lideranças políticas, gestores públicos, representantes da sociedade civil e especialistas em inovação reuniram-se nesta quarta-feira (23), na sede da Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina), para discutir o futuro das cidades inteligentes durante o Fórum Regional de Desenvolvimento, promovido pelo LIDE Paraná. O evento roda o Estado com o intuito de fomentar conexões estratégicas entre os setores público e privado.

Depois de passar por Ponta Grossa, Maringá e Paranaguá, foi a vez de Londrina receber a iniciativa. O segundo maior município paranaense foi escolhido pelo seu protagonismo econômico, social e acadêmico, além de ser uma cidade inserida em um ecossistema de inovação que só cresce.

O conceito de cidade inteligente é muito amplo e abrange as formas inovadoras de se olhar para os problemas, buscando soluções simples para questões complexas.

“A cidade inteligente começa em casa, quando o pai ensina o filho a separar o lixo orgânico do reciclável”, exemplificou a presidente do LIDE Paraná, Heloisa Garret. “A cidade inteligente começa na rua, evolui para o bairro, vai para a nossa consciência coletiva dentro da empresa na qual a gente trabalha.”

Construir uma cidade inteligente não significa, necessariamente, empregar novas tecnologias nem utilizar um grande volume de recursos financeiros. “Muitas vezes, inovar é fazer diferente o que sempre foi feito da mesma forma e a solução pode ser muito mais fácil e prática de ser aplicada, pode estar muito ao nosso alcance”, disse Garret.

O objetivo do LIDE Paraná, destacou a presidente, é o de ser um grande catalisador de oportunidades, aproximando as dificuldades dos municípios das soluções propostas pelas empresas ao mesmo tempo em que mostra à iniciativa privada o que o setor público tem a oferecer. O resultado é a otimização da gestão, de ambos os lados.

Somadas, as empresas que integram o LIDE Paraná têm um faturamento de R$ 250 bilhões e geram 900 mil empregos diretos.

No Fórum, foi apresentado o panorama da cidade de Londrina e suas estratégias para atrair investimentos produtivos, otimizar a infraestrutura urbana e qualificar os serviços públicos com apoio da tecnologia.

O prefeito, Tiago Amaral, que participou do evento, vê a cidade inteligente como aquela que é voltada às demandas dos cidadãos. “Se a gente não coloca o cidadão no centro do processo, a gente minimiza a importância da sociedade, a importância do desenvolvimento social e econômico porque não existe motivo outro que não seja o pensar nas pessoas.”

Mesmo entendimento tem a presidente da Acil, Vera Antunes. “Quando pensa em cidades inteligentes, tem que incluir o cidadão. Queremos uma Londrina próspera e sustentável, impactando 100% da população, e isso envolve todos os setores, saúde, educação mobilidade.”

Antunes destacou o trabalho integrado da associação com a governança de cidades inteligentes de Londrina, a Londrina Inteligente, e apontou como um dos objetivos dessa integração colocar o município na lista das dez cidades mais inteligentes da América Latina até 2034, ano em que Londrina completa cem anos. Hoje, destacou a presidente da Acil, a cidade ocupa a 13ª colocação no ranking das cidades mais inteligentes do Brasil na categoria acima de 500 mil habitantes.

Em sua apresentação, o secretário municipal da Fazenda, Éder Pires, mostrou alguns resultados obtidos na administração, decorrentes da adoção de ferramentas de inovação. Um deles é a redução do tempo de resposta aos pedidos de alvarás.

Segundo Pires, no início do ano, a Fazenda acumulava quase 5,4 mil solicitações de alvarás e hoje, há menos de 850 processos pendentes, uma diminuição de 85%. O tempo médio de abertura de empresas em Londrina é de 3,2 horas, de acordo com o secretário, e só perde em agilidade para Curitiba, Cascavel e Foz do Iguaçu. “O prazo máximo de resposta de alvará é de 28 dias”, frisou Pires. Os ganhos desse avanço, são a economia girando e o impulso ao empreendedorismo.

Atuando nos mercados de geométrica e consultoria de infraestrutura, a Engefoto, uma das empresas participantes do Fórum, tem se empenhado para estimular o debate entre os setores público e privado acerca do uso de novas tecnologias. “Nosso grande objetivo é como aplicar a tecnologia, a inovação, nos municípios na gestão pública, em prol da educação, da saúde, da segurança, mas principalmente, em uma integração com a população”, ressaltou o presidente da empresa, André Trindade.

“O foco aqui no evento é a gestão municipal. Temos soluções em mapeamento terrestre, cartografia, sistemas de gestão integrada, ferramentas que vão trazer eficiência administrativa”, complementou o diretor comercial da Engefoto, Daniel Martins Pereira.

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