Os empresários do setor varejistas sentem a mesma dificuldade em se equilibrar nesse período de juros altos. ''O juro real que estamos vivendo tem um efeito danoso e brutal para o giro da economia. Nós não temos dinheiro para nos 'autofinanciar', então pegamos dinheiro do banco com essa taxa alta e infelizmente repassamos ao consumidor'', frisa Ricardo Muller, diretor financeiro das Lojas Colombo, uma das maiores redes varejistas do País.
Segundo ele, a taxa Selic desencadeia efeitos em série que acabam atingindo diretamente o consumidor e as lojas de varejo. Ele explica, por exemplo, que as Lojas Colombo atende o público das classes C e D, que compra de acordo com o que cabe no bolso e que luta com a queda do poder aquisitivo. ''Essas pessoas trabalham com elasticidade de prazo, mas se ajustam ao presente. Quando fazem uma compra parcelada e, se por algum motivo como uma doença, não têm dinheiro para pagar, elas passam a ser inadimplentes e nós sofremos com isso'', diz Muller.
Para fugir da crise e não perder os clientes, Muller conta que a rede tem aberto outras opções de compra, como a venda parcelada e sem juros através do cartão de crédito. Mesmo assim, ele percebe que as pessoas não têm comprado itens de consumo que não sejam de utilidade básica, a não ser quando estão em promoção. ''Não temos um registro de queda nas vendas, pois abrimos essas opções de mercado, mas por outro lado também não existe a expectativa de crescimento'', aponta o diretor da Colombo.
Ele comenta ainda que a redução de 0,25% da taxa básica de juros, anunciada na semana passada, não alivia nada. Para ter algum reflexo, a queda deveria ser de pelo menos 1%. Muller lembra que há pouco mais de um ano, quando a taxa estava em torno de 16%, o mercado tinha uma fluidez maior. (E.Z.)

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