São Paulo - Os empresários do setor têxtil estão preocupados com um eventual aumento da oferta de produtos chineses no mercado brasileiro como resultado da visita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz ao país a partir de hoje.
A principal preocupação seria a assinatura de algum acordo para redução das tarifas de importações de produtos chineses. Atualmente, a China paga tarifas de 18% para as exportações de tecidos e produtos sintéticos e 20% para roupas confeccionadas.
Segundo o coordenador da área internacional da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil), Domingos Moska, o fator mais preocupante é que as indústrias têxteis de Brasil e China não são complementares, mas sim concorrentes.
''O que nós queremos é que os chineses venham para o Brasil investir em setores nos quais hoje eles são muito fortes, como a fabricação de sede e confecção de vestuário em larga escala. A China não é só uma ameaça. É também oportunidade'', disse.
Segundo Moska, no ano passado, a indústria têxtil brasileira faturou US$ 23 bilhões e exportou US$ 1,65 bilhão no ano passado. Para este ano, a estimativa é exportar US$ 2 bilhões. Já as exportações chinesas de têxteis somaram, em 2003, US$ 40 bilhões.
Documento - Os empresários do setor encaminharam ao ministro Luiz Furlan (Desenvolvimento) um documento que reproduz observações feitas pela OMC (Organização Mundial do Comércio) para que a China abandone medidas comerciais consideradas anticompetitivas.
O texto traz ainda um histórico do desenvolvimento industrial e tecnológico do setor na China, além de expressar a preocupação com o que chamam de ''rolo compressor'' chinês sobre o mercado brasileiros de produtos têxteis.
O documento, na verdade, é uma reivindicação ao governo para que a atual política industrial seja modificada e que a infra-estrutura produtiva brasileira seja melhorada.

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