São Paulo O setor têxtil brasileiro registrou, entre janeiro e novembro, um crescimento recorde de 38% em suas exportações em relação ao que foi vendido no mesmo período do ano passado. O gerente operacional da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confeccões, Rossildo Faria, antecipou à Agência Estado que os números consolidados do setor mostram vendas externas de US$ 1,48 bilhão nos 11 primeiros meses do ano. ''Esse montante praticamente assegurou a meta do ano, que está prevista em US$ 1,6 bilhão '', disse Faria, pouco depois de participar do seminário ''Fazando Negócios no Reino Unido'', organizado pela Câmara Britânica de Comércio.
Se a tendência continuar, a industria têxtil e de confecções do País vai fechar o ano com um crescimento de 32% em suas exportações, bem acima da expansão média de 20% registrada nas vendas externas de outros setores. Com isso, a indústria têxtil deverá fechar o ano com um superávit de aproximadamente US$ 500 milhões, pouco mais de três vezes acima das marcas registradas anos anteriores.
Para 2004, explicou Faria, ''as perspectivas são ótimas e já estimamos exportar pelo menos US$ 1,8 bilhão''. A situação do setor, porém, poderá ser ainda melhor a partir de janeiro de 2005, quando o regime de quotas no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) vai cair.
A estimativa da Abit, por exemplo, é exportar US$ 500 milhões a mais por ano ao mercado europeu com o fim dessas quotas. A entidade também prevê o aumento das vendas para os Estados Unidos, mas ainda não tem uma estimativa do porcentual de crescimento. Diante dessas perspectivas, o setor decidiu investir US$ 10 bilhões nos próximos cinco anos em tecnologia e em capacidade de produção.
Apesar desses números promissores as exportações têxteis brasileiras representam apenas 0,33% das vendas mundiais. No vestuário essa participação ainda é menor, 0,14%. De qualquer forma, explicou Faria, ''estamos crescendo também no destino, alcançando novos mercados, mais desenvolvidos e mais exigentes''. Segundo o executivo, a base exportadora e a pauta de produtos de maior valor agregado também estão crescendo e a Abit já identificou 400 novas empresas exportadoras.''Vale lembrar que há oito anos o setor enfrentou sérias dificuldades com a rápida abertura do mercado nacional.
Com investimentos de US$ 12 bilhões nesse período, o setor reverteu o quadro e hoje conta com 30 mil empresas no País (dos quais 25 mil são confecções), que faturam US$ 23 bilhões e empregam 1,5 milhão de trabalhadores. ''Já somos a sétima cadeia mais importante do mundo e o setor vestuário já representa 20% das exportações totais do Brasil''.
O Paraná, um dos principais pólos têxteis do País, reúne 3,5 mil indústrias, que exportam apenas 1% da produção, estimada em 130 milhões de peças por ano.

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