Setor têxtil ganha competividade
Mário CésarFarage Kouri: hora de cautelaO produto têxtil importado certamente perdeu competitividade para os artigos produzidos pelas indústrias nacionais. Mas os empresários do setor preferem aguardar uma definição sobre o câmbio do dólar e do cenário econômico brasileiro antes de traçar qualquer expectativa. Esta semana, a cadeia têxtil recebeu forte pressão dos fornecedores para aumento de preços. Os reajustes já ocorreram nos tecidos e pode significar reajuste nas confecções da ordem de 20%.
Nós da indústria não repassamos nada e só dentro de 30 ou 40 dias é que poderemos fazer uma avaliação, afirma cauteloso o diretor da ZKF Confecções de Londrina, Farage Kouri. A empresa, que tem 700 funcionários e produz 100 mil peças/mês, é a maior fábrica de calças do País, produzindo para marcas como Zoomp, M. Officer e Hugo Boss. Segundo Kouri, estes aumentos vão gerarproblemas para as empresas têxtis brasileiras, na medida que qualquer reajuste implica em vendas menores na ponta final do varejo.
Por outro lado o empresário reconhece que a supervalorização da moeda americana coloca o setor em situação favorável. Isto é indiscutível, sustenta Kouri. Sobre a expectativa de aumento de exportações, o empresário explica que as roupas brasileiras ainda não tem grande trânsito internacional e que a produção é mais direcionada no mercado interno. Agora temos de torcer para queocorra uma estabilização, a alta do dólar foi apenas uma correção, afirmou.
O presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário do Paraná (Sivepar) Djalma Luiz Ferreira acredita que a alta do dólar traz mais conforto para o setor, que direciona a maior parte da produção para o Brasil. Segundo ele, 84% das indústrias são pequenas e médias e nunca exportaram. Ele acredita que esta mudança no câmbio anima os pequenos empresários a arriscarem novos mercados.
Agora estamos mais competitivos no preço porque na qualidade sempre estivemos na frente, afirma ele, se referindo aos artigos importados dos Países asiáticos e que agora vão perder mercado no Brasil. (P.L)





