Empresários e entidades ligados ao setor têxtil deverão concluir até o mês de março um trabalho completo sobre o segmento para garantir sua sobrevivência nos próximos anos. Essa avaliação pretende identificar quais são as principais necessidades do setor e que medidas deverão ser tomadas para trazer de volta o crescimento.
Durante uma reunião realizada ontem na sede da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), empresários de todos os segmentos da cadeia produtiva do setor, representantes do governo e presidentes das principais entidades nacionais debateram os resultados iniciais de um estudo realizado por pelas consultorias Gherzi (Suíça), Servatex (Alemanha) e WS (Brasil). O estudo, realizado com base de dados até 1996, destacou a necessidade do setor de aumentar suas exportações para manter o mesmo nível de competitividade com os grandes produtores mundiais. No ano passado, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) divulgados ontem, o segmento têxtil obteve um déficit de US$ 1,1 bilhão no ano passado, resultado de US$ 1,2 bilhão em exportações e US$ 2,4 bilhões em importações.
Além disso, os empresários estão aguardando uma resposta do governo federal no que se refere a medidas de proteção para o setor e de combate ao comércio ilegal destes produtos, que tem crescido significativamente nos últimos anos. A cadeia têxtil é o maior empregador industrial do País, com 3 milhões de trabalhadores, de acordo com os dados da Abit. A produção nacional atinge US$ 17 bilhões.
O trabalho das consultorias também destacou a necessidade do País em obter novamente a auto-suficiência na produção de algodão, uma vez que cerca de 50% do algodão consumido no mercado doméstico é importado. A redução da produção doméstica deste produto, que vem ocorrendo desde 1992, é uma ameaça à competitividade do setor têxtil, na avaliação da Abit. O Brasil importa anualmente cerca de US$ 800 milhões em algodão.
O setor têxtil investiu mais de US$ 12 milhões nesta década em modernização para não perder sua posição no mercado brasileiro e internacional, segundo a Abit. Desde 1992, com a redução das tarifas alfandegárias e a posterior valorização do real frente ao dólar, o segmento deixou de apresentar superávit comercial e passou a registrar sucessivos resultados negativos.

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