Setor têxtil costura mudanças para reverter as perdas
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terça-feira, 26 de julho de 2016
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 

Lançamento de uma nova linha de jeans, relançamento de uma marca de 20 anos atrás, aposta em um novo modelo de comercialização e locação de espaços para parceiros atacadistas. Essas foram algumas mudanças que um grupo atacadista de Londrina realizou em um curto período de tempo com o fim de recuperar o crescimento depois de queda de 25% de 2015 para cá. O cenário de retração se repete, conforme o grupo, desde a segunda metade de 2014.
De acordo com o presidente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias do Vestuário do Paraná (Sivepar), Alexandre Graciano de Oliveira, até meados de março, antes da entrada no frio, o setor amargou perdas de 20%. "No primeiro trimestre, encolhemos 20% devido não só à diminuição da produção, mas também porque o mercado não estava comprador." A recuperação do índice veio só a partir do segundo trimestre, com a entrada do frio. Até o final do ano, a expectativa é que haja crescimento de 10% no faturamento do setor com as vendas das coleções de primavera e verão, diz Oliveira.
Neste mês, o Silo da Moda, grupo que possui centro atacadista e fábricas de confecções em Londrina, acrescentou ao seu portfólio mais uma linha de jeans feminino básico e "perene", com modelos que permanecem no catálogo do início ao fim. A proposta é atingir o público que é fiel a um tipo de peça de roupa. O conceito é novidade no grupo, que quer fazer mudanças a fim de retomar o crescimento. Neste segundo semestre, a expectativa é de pelo menos recuperar os 25% perdidos de 2015 para 2016 para voltar a crescer em 2017.
Outra atitude tomada foi trazer de volta, no ano passado, uma marca de jeans que havia sido descontinuada há cerca de 20 anos, direcionada ao público "country". A demanda por esse tipo de produto, segundo o diretor do grupo, Henrique Dias, voltou e a empresa resolveu aproveitar o momento. O Silo da Moda também apostou, no início do ano, em "marcas de estrada" - cujos produtos são adquiridos por meio de representantes em vendas programadas.
Locação
Nos 10,8 mil m² de seu centro atacadista, localizado na Região Central de Londrina, o grupo também resolveu em agosto do ano passado abrir espaços para locação por parceiros atacadistas, que podem usufruir da infraestrutura e da frequência de lojistas que passam por ali toda semana. O centro ganha com o valor da locação e com a exposição de uma variedade maior de produtos. Hoje, há 31 parceiros no local, que tem capacidade para 200 lojas. Em outubro, deve ficar pronta mais uma área para comportar mais parceiros.
"A indústria da confecção está procurando por alternativas para a queda da produção e de vendas para voltar a ser saudável. Estamos criando várias alternativas para atingir um ponto de equilíbrio", comenta o diretor do grupo. A estratégia, segundo ele, é promover mudanças utilizando a infraestrutura já existente. "Criar uma maneira de gerar receita, e não despesa."
O grupo possui duas unidades fabris e, em meados de 2009, tinha uma capacidade máxima de fabricação de 12,5 mil peças ao dia. Hoje, são produzidas cerca de 6,5 mil diariamente. Dias afirmou que teve de dispensar 250 funcionários neste ano, reduzindo o quadro a 460 pessoas. Para o lançamento de novos produtos, foram admitidos apenas colaboradores da área comercial. Segundo ele, o Silo da Moda é o único centro atacadista da região, que recebe compradores que passam por Cianorte.
Setor
Conforme o Sivepar, o setor do vestuário de Londrina e região atende as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do País, e está inserido em um importante polo no Brasil, o da região Norte do Estado, composto também por Cianorte, Maringá e Apucarana. Estão associadas ao Sindicato cerca de 700 empresas, que empregam em torno de 20 mil pessoas direta e indiretamente.


