- A indústria têxtil vai apresentar ao governo proposta para melhorar a produtividade das áreas plantadas com algodão no País e tentar recuperar a produção decrescente. O presidente do Sinditêxtil, Oscar Augusto Rache, disse ontem, no seminário Pespectivas da Comercialização de Algodão no Brasil, que a idéia é que o importador pague uma pequena quantia (ainda não definida) para cada fardo de algodão importado.
- Essa ‘‘contribuição’’, como chama Rache, seria administrada pela própria indústria têxtil e repassada para os institutos de pesquisas oficiais que trabalham com o desenvolvimento de sementes. A proposta está sendo elaborada pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e pelo escritório da ITMF (International Textil Manufacturer Federation) no Brasil.
- As duas entidades estão finalizando o documento que deve ser entregue ao governo em dezembro. Apesar de ainda não ter especificado a quantia acertada pelo importador, a meta da indústria é arrecadar entre US$ 1 milhão e 1,5 milhão/ano para repassar aos institutos de pesquisa. ‘‘Melhorando a produtividade é possível aumentar a produção que vem diminuindo a cada ano’’, afirmou Rache. A produtividade média nas áreas produtoras do centro/sul do País é atualmente de 700 quilos de pluma por hectare. Esse número é considerado satisfatório e dentro da produtividade média mundial, segundo o representante da Conab, José Sérgio Baima.
- No entanto, para Oscar Rache o ideal seria produzir pelo menos mil quilos por hectare. Para o presidente do Sinditêxtil, o maior problema da cadeia do algodão hoje não é a alíquota de importação baixa (3%), que torna mais vantajoso comprar lá fora. ‘‘O Brasil precisa investir mais em tecnologia, como colheitadeiras, para diminuir o custo de produção, e desenvolver sementes de melhor qualidade’’, disse Rache, em entrevista à repórter Alda do Amaral Rocha, da ‘‘Agência Estado’’. Ele defendeu ainda a adoção de taxas de juros no País similares às praticadas no mercado internacional.
- As importações de algodão em 1996 vão representar cerca de 10% do déficit total do País, estimado em US$ 7 bilhões. A previsão é do agrônomo José Sérgio Baima, chefe da divisão de complexos de produtos de exportação da Conab, que participa do seminário Perspectivas da Comercialização de Algodão no Brasil.
De acordo com Baima, este ano o Brasil importará 390 mil toneladas de algodão em pluma, cerca de US$ 740 milhões. Em 95, foram importadas 282 mil toneladas. A maior participação do algodão no déficit brasileiro se deve à queda de produção no País verificada nos últimos anos. Em 97, segundo a Conab, o Brasil deverá importar 60% de seu consumo, estimado em 860 mil t. Enquanto a importação cresce, a produção continua a cair - na safra 95/96 o País produziu 414 mil t, e em 96/97 a produção deve cair 17%, ficando em 343 mil t. A queda na produção de algodão se deve a fatores estruturais e conjunturais, segundo Baima, como crédito agrícola e alíquota de importaçãso baixa (3%).

mockup