A exemplo de outros setores, a Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel) também pleiteia junto ao governo federal a isenção da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos móveis, que é de 5%; e a redução de 10% para 5% a tarifa dos painéis de madeira, insumo básico para a produção do setor. Inicialmente, o pedido é que o benefício dure seis meses.
Representantes moveleiros já se reuniram com diversos setores do governo. Segundo José Luiz Diaz Fernandez, presidente da Abimóvel, a concessão do benefício apenas para alguns setores está prejudicando outros segmentos. ''As vendas de móveis estão caindo 10% ao mês desde abril, enquanto na linha branca o crescimento é de 6%'', justifica. A cadeia produtiva moveleira no Brasil é composta por 17 mil empresas, que geram aproximadamente 237 mil empregos formais. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), as indústrias de móveis representam a 9 força de trabalho do país.
Ainda que considerem importante a redução do imposto para a recuperação do setor, empresários de Arapongas não acreditam que as vendas da linha branca estejam causando a queda tão grande na demanda para a indústria moveleira. ''Se a redução do IPI para outros setores prejudicou o setor, foi muito pouco. Os maiores problemas que tivemos foram a crise financeira, além da alta carga tributária'', acredita Nelson Poliseli, presidente do Sindicato da Indústria Moveleira de Arapongas (Sima).
Os representantes do Sima também se reuniram com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, para pedir incentivos para o setor. Porém, Poliseli acredita que a redução do IPI para o setor é uma possibilidade remota. Já a expectativa do presidente da Abimóvel é mais otimista. Para Diaz Fernandez, as reivindicações devem ser atendidas até o final deste ano. Segundo ele, se o governo não tomar alguma providência logo, devem ocorrer demissões em massa. ''Em alguns polos já começaram as demissões. Se nada for feito, estimo que 12% dos funcionários das indústrias serão demitidos nos próximos meses'', diz.
Para Nelson Poliseli, existe a possibilidade de ocorrerem demissões no início do ano em Arapongas. Isso é comum, já que o primeiro semestre é uma época fraca para o setor. ''Mas não vai chegar aos 12%. Essa pode ser uma realidade nacional, mas não é o que acontece aqui'', observa. (C.M.)

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