Curitiba - O setor de supermercados tem uma grande rotatividade de funcionários. A média de tempo que os empregados ficam em uma rede é oito meses a um ano, segundo informações do Sindicato dos Trabalhadores em Supermercados de Curitiba, Região Metropolitana e Litoral (Siemerc). De acordo com dados da Associação Paranaense de Supermercados (Apras) este problema tem aumentado muito nos últimos cinco anos. Entre os principais fatores que fazem os trabalhadores deixarem o setor estão a carga horária muito pesada que inclui domingos e feriados, falta de treinamento, de planejamento de cargos e salários e baixa remuneração em relação ao mercado em geral. Hoje, o piso salarial é de R$ 464. Entre janeiro de 2006 e março de 2007, o Siemerc contabilizou 1.900 pedidos de demissão, cerca de 126 por mês em Curitiba, Região Metropolitana e Litoral.
O presidente do Siemerc, Jorge Leonel de Souza, disse que, para muitas pessoas, o setor supermercadista representa o primeiro emprego. A coordenadora do Instituto Escola de Supermercados (Iespar) da Apras, Andréa Luy, avalia que o setor paga mal para funcionários que trabalham feriados e domingos. ''Mas, não é só isso que faz o empregado ir embora.'' Ela disse que os funcionários acabam tralhando sempre um pouco mais do que oito horas por dia. Além disso, falta treinamento e supervisão para os funcionários.
Outro motivo que leva os empregados a saírem do setor, segundo ela, é a falta de planejamento de cargos e salários, o que acaba trazendo desmotivação. ''A empresa tem que conhecer as necessidades individuais dos funcionários, conversar com eles e fazê-los participarem das metas'', disse.
Ela destacou que o setor suporta de 4% a 5% de rotatividade por mês. Mas, segundo Andréa há empresas que chegam a um índice de 12% ao mês e 100% ao ano. O consultor de varejo Moacir Moura alertou que esta alta rotatividade é muito prejudicial para o supermercado e tem um custo elevado. ''Há um custo real que é a rescisão de contratos e outro invisível que é a perda de clientes, a baixa qualidade do trabalho e a falta de comprometimento do funcionário'', disse. Ele lembrou que, funcionários fidelizados, fidelizam clientes. Para o consumidor, as principais consequências são a queda na qualidade dos serviços além de terem dificuldade para encontrar produtos nas lojas.
Moura destacou que muitas pessoas que terminam o ensino médio ou nem terminaram vão para o setor como uma forma de ter o primeiro emprego. ''O funcionário trabalha um ano, adquire alguma experiência, sai para ganhar um pouco mais e faz do supermercado um trampolim para a carreira dele.'' Segundo ele, quem acaba ficando mais tempo na área são os funcionários que têm cargos de chefia e os gerentes de lojas.
Andréa lembrou que os funcionários que têm mais tempo de casa pensam duas vezes antes de pedir demissão porque têm família para sustentar e mais responsabilidades. Por outro lado, ''o jovem gosta de desafio e precisa de motivação''. A maior parte dos funcionários que pedem demissão têm de 18 a 25 anos.
Outra consequência da alta rotatividade é a falta de qualificação profissional. ''Pela grande rotatividade, os supermercados contratam mais pessoas com pouca qualificação'', disse Andréa.
A Apras conta com o Iespar que foi criado como um braço de educação profissionalizante para qualificar os profissionais do setor. Hoje, o instituto conta com 45 cursos.
Fábio Lima dos Santos, 21 anos, chefe encarregado de estoque em um supermercado de Fazenda Rio Grande (Região Metropolitana de Curitiba), começou a trabalhar no setor com 16 anos como empacotador e pretende chegar a gerente de loja. Ele participou do curso Formação Gerencial no Varejo promovido pela Apras que envolve conceitos de compra, marketing, e tendências do varejo. ''Neste mercado competitivo é essencial ter informação.''

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