Setor sucroalcooleiro precisa crescer 10% ao ano
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segunda-feira, 06 de junho de 2011
Victor Lopes <br> Reportagem Local 
O superintendente da Associação de Produtores de Bioenergia do Estado do Paraná (Alcopar), Adriano Silva Dias, advertiu que o País realmente precisa retomar os investimentos para que o setor sucroalcoleiro volte a crescer nos patamares pré-crise mundial. Ele conversou com a FOLHA após a declaração do presidente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Haroldo Lima, que afirmou ontem durante a Ethanol Summit, que acontece esta semana em São Paulo, que há ameaças de desabastecimento do etanol no País caso o governo não invista de forma efetiva no setor, evitando, além da falta do combustível, o aumento dos preços.
De acordo com Dias, entre 2000 e 2008, o setor estava crescendo pouco mais de 10% ao ano. Após a crise mundial, completou, o crescimento anual ficou abaixo dos 3% desde então. ''Houve uma retração do setor, enquanto a frota de carros flex, por exemplo, não parou de crescer. O investimento em todo o Brasil não acompanhou a produção'', salientou ele.
No Paraná, que possui 30 usinas (sendo que 27 estão em atividade), a produção de 1,7 bilhão de litros prevista para esta safra praticamente é consumida no Estado. No País, a produção do combustível deve fechar em 26,5 bilhões de litros. ''Os preços atrativos fizeram que o consumo do etanol fosse maior que o da gasolina. Mas vale dizer com problema atinge todo o País, não é exclusivo do Paraná'', comentou o representante da Alcopar.
Pelos cálculos de Dias, seria necessária a construção de, pelo menos, 15 usinas por ano no País para atender a demanda de etanol. ''É preciso um crescimento vertical ou horizontal, ampliando as indústrias que já temos. O governo pode investir no setor de diversas formas, como aumentar o valor dos financiamentos para os produtores'', concluiu.
Garantia de abastecimento
A primeira resolução da ANP como agência reguladora do mercado de etanol será sobre garantia de abastecimento e deverá ser levada à consulta pública em cerca de 15 dias. A informação é do presidente da ANP, Haroldo Lima. Ao sair da cerimônia de abertura do Ethanol Summit, Lima afirmou que esta resolução terá uma regulação de toda a cadeia, da produção à distribuição.
''Não iremos regular apenas uma parte da cadeia, mas toda ela. Só assim conseguiremos garantir o abastecimento'', afirmou o executivo. Ele esclareceu que mecanismos de financiamento da produção também estão em estudo em conjunto om o setor.
Lima afirmou que a ANP está trabalhando intensamente com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) para se inteirar do mercado de etanol. ''Dominamos os mercados de gás e petróleo, mas etanol ainda é novidade e precisamos aprender com quem sabe'', relatou. Segundo Lima, a Unica está preparando cursos para os técnicos da ANP.
O executivo ressaltou, ainda, que esta primeira resolução da ANP será sobre garantia de abastecimento de etanol porque o sentimento é de que esta é a principal preocupação da sociedade neste momento. A resolução será apresentada à consulta pública e depois levada a uma audiência pública para votação. Lima observou que a lei estabelece um prazo de seis meses para que a ANP estabeleça um bloco de resoluções para regular o mercado. ''Queremos apresentar estas resoluções prontas e aprovadas antes dos seis meses'', garantiu. (Com Eduardo Magossi, da Agência Estado)


