Brasília - As contas do setor público voltaram a registrar deficit em maio, depois de dois meses seguidos de resultados positivos. O deficit foi de R$ 6,9 bilhões no mês passado, valor inferior ao resultado negativo de R$ 11,1 bilhões do mesmo período de 2014, informou ontem o Banco Central. Nos cinco primeiros meses do ano, União, Estados e municípios fizeram uma economia de R$ 25,6 bilhões, resultado 19% inferior aos R$ 31,5 bilhões verificados no mesmo período de 2014.
No acumulado em 12 meses, as contas do setor público continuam no vermelho, com deficit de R$ 38,5 bilhões (0,68% do PIB). A meta para este ano é um resultado positivo de R$ 66,3 bilhões (1,2% do PIB).
O governo federal, incluindo BC e INSS, teve resultado positivo de R$ 6,7 bilhões no ano, abaixo do verificado no mesmo período de 2014 (R$ 18,1 bilhões). O superavit primário (diferença entre receitas e despesas não financeiras) de Estados e municípios, por outro lado, passou de R$ 13,6 bilhões para R$ 19,2 bilhões na mesma comparação. A dívida líquida do setor público caiu de 34,1% para 33,6% do PIB. A dívida bruta subiu de 58,9% para 62,5% do PIB.

Resultado
O setor público registrou nos cinco primeiros meses de 2015 os piores resultados fiscais das estatísticas oficiais do governo, o que reduziu a chance de cumprimento da meta de superavit primário fixada para este ano. A economia menor, somada ao pagamento maior de juros, elevaram a dívida e o deficit públicos a níveis recordes. Com isso, fica também mais distante outro objetivo do governo, que é conter o aumento do endividamento.
O Banco Central afirma que as medidas adotadas para aumentar receitas e cortar despesas ajudarão a melhorar os resultados daqui pra frente. A instituição prefere não comentar, no entanto, se é possível atingir a meta do ano e faz suas projeções utilizando tanto o objetivo fixado pelo governo como a projeção do mercado para o superavit primário. A economia do setor público ficou em 1,1% do PIB entre janeiro e maio, pior resultado da série histórica iniciada em 2001.
Maio registrou deficit de R$ 6,9 bilhões, valor inferior ao resultado negativo de R$ 11,1 bilhões do mesmo período de 2014. Foi a primeira queda nesse tipo de comparação. "Essa é a tendência que se espera observar para os próximos meses deste ano", afirmou o chefe-adjunto do Departamento Econômico do BC, Fernando Rocha. Segundo ele, um dos fatores que vai contribuir para a melhora é a base de comparação, uma vez que os resultados do segundo semestre de 2014 foram os piores já registrados na contabilidade do BC. "E temos o efeito das medidas de ajuste fiscal, tanto do lado de despesas como de receitas."
Rocha afirmou que essa também é a percepção do mercado, que projeta que o deficit de 0,7% do PIB nos 12 meses encerrados em maio se transforme em uma superavit de 0,7% até dezembro. Ele afirmou que o BC não faria comentários sobre a possibilidade se alcançar ou não a meta de 1,1% para 2015, que deve ser alterada pelo Ministério da Fazenda.

JUROS RECORDES
Além do superavit menor, o setor público registrou gasto recorde com juros da dívida pública de 8,4% do PIB de janeiro a maio. Esse aumento é explicado justamente pelas medidas adotadas pelo governo na área econômica. Os principais indicadores que corrigem a dívida são a taxa básica de juros, que subiu para conter a inflação, e os índices de preços, que estão sendo puxados pelo dólar e pela correção das tarifas públicas. O BC registrou ainda uma perda superior a R$ 40 bilhões nas operações de intervenção no câmbio, o que é contabilizado como gasto com juros. A diferença entre o superavit e o pagamento de juros foi um deficit público de 7,3% do PIB no período, outro recorde.

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