Setor público registra superávit de R$ 8,9 bi
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sexta-feira, 24 de maio de 2002
Agência Folha 
Brasília O governo obteve em abril o maior saldo positivo das contas públicas registrado até ontem. Ajudada pelos lucros da Petrobras e pelo pagamento de impostos, a economia (superávit primário) feita pela União, sem incluir os gastos com juros, foi de R$ 8,973 bilhões, ou 77,68% do saldo acumulado de janeiro a março.
A principal contribuição para esse resultado veio das estatais, que, após três meses consecutivos de déficit, registraram no mês passado um saldo positivo de R$ 2,057 bilhões. Além disso, outros R$ 2,3 bilhões que os ministérios deixaram de gastar, mesmo tendo autorização, ficaram no caixa do Tesouro Nacional e contribuíram para um superávit de R$ 5,7 bilhões no governo federal em abril.
Os dados são bastante positivos, são extraordinários, disse ontem o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, ao divulgar os resultados fiscais do mês de abril.
O governo ficou mais perto também de cumprir a meta de superávit primário para o ano, de 3,5% do PIB (Produto Interno Bruto), acertada também com o FMI (Fundo Monetário Internacional). O resultado do mês passado representou 43,72% do superávit primário de R$ 20,52 bilhões acumulado no ano até abril.
A meta para junho com o FMI é de um superávit de R$ 25 bilhões. Fica bastante claro que o cumprimento da meta para junho está bem mais fácil agora. O resultado primário foi tão elevado que, mesmo depois de pagar os juros sobre a dívida, sobrou ao governo (superávit nominal) R$ 1,992 bilhão, o que não ocorria desde março de 2001. Naquele mês, o governo conseguira economizar R$ 1,839 bilhão após o pagamento de juros.
Todas as esferas do governo (União, Estados, municípios e estatais) apresentaram resultado primário positivo. Segundo Lopes, o ganho referente às estatais deveu-se quase que integralmente à Petrobras, beneficiada pela alta do preço do petróleo no mercado internacional e pelo aumento da produção no mercado interno.


